Claro que aos bons conhecedores da língua, uns "pobrema" bem enunciados são sempre agentes causadores de leves arrepios e comichões suaves por toda a pele, mas um bom entendedor é capaz de perceber que os "menos letrados", por assim dizer, tem mesmo mais dificuldade em pronunciar tal palavra. Além do mais, Camões já grafou "frecha", e a tendência dos falantes do português é trocar PL, FL, BL, etc por PR, FR, BR... O som do L com outra consoante é elaborado demais para nossa boca.
O que me machuca mesmo, é como todos temos coragem de discriminar o pobre "pobremático", enquanto nos compadecemos pelo rico e seus "poblema" de primeiro mundo. Quando se trabalha no comércio, você tem contato com pessoas bem diferentes, de diferentes níveis de renda. E eu tenho reparado que tanto ricos como pobres falam "pobrema" ou "poblema". Mas claro, o rico nos distrai com seu Porsche estacionado logo ali, com suas jóias nos dedos, com seu colar de pérolas no pescoço, com seu celular aparentemente importado de uma galáxia mais avançada que a nossa. O pobre? Ele nos causa asco com suas roupas simples, com a marca de barro na sola do sapato, com o cabelo desgrenhado de quem acaba de sair do trabalho, com seu "pobrema", com seus "poblemas".
Eu acho injusto. Acho tosco. Tenho raiva. O pobre é que devia ser perdoado de falar "errado", porque teve menos oportunidades de se dedicar à cultura; o rico é que devia ser apedrejado: "Seu desavergonhado! Teve tudo ao seu alcance a vida toda, porra, não aproveitou por quê? Gastou seu dinheiro colecionando selos, apostando em cavalos e bebendo cerveja Heinkein (nem sei escrever isso e nem vou pesquisar, estou enfurecida!) ???". Que raiva.
Quer criticar o pobre porque ele fala errado? Então critique também a madame e o conde com seu analfabetismo opcional.
O que me machuca mesmo, é como todos temos coragem de discriminar o pobre "pobremático", enquanto nos compadecemos pelo rico e seus "poblema" de primeiro mundo. Quando se trabalha no comércio, você tem contato com pessoas bem diferentes, de diferentes níveis de renda. E eu tenho reparado que tanto ricos como pobres falam "pobrema" ou "poblema". Mas claro, o rico nos distrai com seu Porsche estacionado logo ali, com suas jóias nos dedos, com seu colar de pérolas no pescoço, com seu celular aparentemente importado de uma galáxia mais avançada que a nossa. O pobre? Ele nos causa asco com suas roupas simples, com a marca de barro na sola do sapato, com o cabelo desgrenhado de quem acaba de sair do trabalho, com seu "pobrema", com seus "poblemas".
Eu acho injusto. Acho tosco. Tenho raiva. O pobre é que devia ser perdoado de falar "errado", porque teve menos oportunidades de se dedicar à cultura; o rico é que devia ser apedrejado: "Seu desavergonhado! Teve tudo ao seu alcance a vida toda, porra, não aproveitou por quê? Gastou seu dinheiro colecionando selos, apostando em cavalos e bebendo cerveja Heinkein (nem sei escrever isso e nem vou pesquisar, estou enfurecida!) ???". Que raiva.
Quer criticar o pobre porque ele fala errado? Então critique também a madame e o conde com seu analfabetismo opcional.

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