Na verdade, se parar pra pensar, ele mal chega a "durar"! Nós ainda não adotamos a cultura de "amar o próximo" que o Natal prega. Cultura, aliás, que eu prefiro muito mais chamar de "cultura do bom-senso". Sério, não é preciso "amar" o próximo, é uma palavra muito forte.. Mas com um pouco de bom-senso é possível ter os mesmo efeitos desse "amor" ao próximo. Ah, isso é!!
Amar o próximo não é ajudar o necessitado sempre que a ajuda estiver ao seu alcance? Tolerar diferenças sem julgar? Impor-se sempre a favor da justiça, defendendo o oprimido? Dosar suas atitudes para que não cheguem a ferir ninguém? Não é esse o caminho que o "amor ao próximo" traça pra gente? É.
O que as pessoas ainda não sabem é:
1. Isso tudo pode ser alcançado com o básico do bom-senso.
2. Devemos viver isso o ano inteiro, não só no Natal.
É como nos ônibus.. Eu venho de uma terra em que ônibus não lotam e - mesmo que lotem - a viagem nunca passa de 20 minutos (ou então o ônibus sairia da cidade)*, mas você talvez seja de uma cidade maior ou já tenha experimentado um busão recheado de gente. Lotado. Então você já reparou na política de assentos preferenciais.
São aqueles lugares amarelos no ônibus que ficam "reservados" a obesos, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e/ou pessoas com deficiência física. "Reservados", assim, entre aspas porque na verdade você pode se sentar neles, apenas deve cedê-los a pessoas mais necessitadas que você caso uma delas venha a embarcar e não tenha outro lugar.
Eu acho isso um erro terrível. Um absurdo.
Tá certo que essas pessoas nessas condições precisam mesmo viajar sentados, pois já é muito difícil se equilibrar no ônibus em movimento apenas com uma mochila (que você pode colocar no chão entre suas pernas tranquilamente) imagine com um bebê no colo ou na barriga, com sobrepeso ou - não levem a mal - com um membro do corpo a menos.. Eu sei, ou melhor, imagino que deve ser impossível, mas precisamos mesmo de assentos preferenciais? Não devíamos ter um cultura preferencial? Sério mesmo que as pessoas não tem o bom-senso de ceder a porcaria do assento - seja ele azul ou amarelo ou roxo de bolinhas verdes - para uma pessoa que claramente tem dificuldades de ficar em pé dentro de um ônibus em movimento?!
As pessoas me cansam às vezes. É triste ver que temos que ensinar o óbvio.. Eu dou meu lugar a velhinhos, pessoas com crianças de colo e todos os mais necessitados que eu - seja meu assento preferencial ou não. Acredito que o preferencial é o bem-estar de todos, se tenho e estou em condições de ficar em pé nos próximos 20 minutos de viagem, que assim seja! Porque no dia que eu estiver com a minha criança de colo ou, mais adiante, quando eu for velhinha (ou se um dia tiver movimentos limitados por alguma deficiência física) vou querer que aquele cidadão de condicionamento físico não-dificultado me empreste seu assento no ônibus, independente da cor. Independente da lei. Independente do tempo de viagem que ele ainda tem pela frente. Mas pura e simplesmente pela nobreza do bom-senso. Porque ele percebe minha necessidade e escolhe me ajudar, porque é o melhor a se fazer. Porque é justo.
É pedir muito? Uma cultura preferencial, priorizando o "espírito natalino" (cof-cof) o ano todo. A utopia do "amor ao próximo" sufocada pela simplicidade do bom-senso. Um ônibus só de assentos amarelos. Amém!
Leia também: As pessoas se amam mais no Natal
* é exagero caricato, ok? Sim, os ônibus chegam a lotar aqui na minha cidade, eu mesma já fiquei em pé. E sim, às vezes se passa mais de 20 minutos dentro do ônibus (:

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