da vontade que eu tenho de explicar o que sinto.
Tenho 17 anos. As
crianças me veem enorme, me têm como exemplo. Sou até um tipo de heroi pra
algumas, muitas se imaginam sendo como eu, um dia. Os adultos me veem em
crescimento, fingem que ouvem a minha voz e acabam não se importando com o que
eu penso. Sou até criança para alguns, muitos até me imaginam como eles, um
dia, na ilusão de que isso seria “evoluir”...
Já fui criança, já vi
minha irmã ser um heroi para mim. Já sonhei: quis ser lixeira pra poder me
pendurar no caminhão em movimento, quis ser macaca para ter um rabo que faz
maravilhas, quis ter dezoito anos pra poder dirigir. Hoje, a ideia mais
atraente – confesso – é a de ser macaca. Um rabo, de fato, me seria muito útil.
Tenho dezessete anos e tenho que
decidir o que fazer da vida. É a hora de fazer a escolha da vida que se quer
levar, por isso vou contar tudo o que desejo para o meu futuro.
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Eu quero um amor de verdade. Correspondido, por favor! Eu quero as tais
“borboletas no estômago”, quero o tal ridículo do “ah, desliga você!” ao
telefone, quero ter alguém que vai corresponder cada beijo e cada abraço que eu
não vou hesitar em dar. Eu quero ter alguém que a mim inspire quando eu for
escrever, quero um nome pra rabiscar nas horas de tédio, quero alguém pra ligar
no meio da madrugada só para contar o sonho que tive. Porque, na minha
concepção, amar acontece intelectual e emocionalmente; o físico do amor é
apenas o nosso jeito humano de dizer “te amo”.
Eu quero ter orgulho de mim.
E
que tenham-no também, por favor! Eu quero me olhar no espelho e soltar aquele
risinho suave dos satisfeitos e que o mundo veja minha figura e reconheça
minhas qualidades. Eu quero ouvir sete “parabéns” por dia e que não sejam de
aniversário, quero gostar do que faço e que as pessoas apreciem os resultados.
Quero ser importante, quero mudar vidas, tocar almas, consolar corações,
confortar os perturbados e abraçar os carentes. Quero ser sábia das idéias,
aprender todas as lições da vida e transmiti-las com beleza.
Eu quero as lágrimas leves. E bem redondas, por
favor! Eu quero piscar meus olhos com um pensamento na cabeça e sentir aquele
nó na garganta, a pressão no peito, o formigamento no rosto, a moleza nas
pernas e o vazio na barriga... Quero o doce contato das lágrimas leves e super
redondas rolando sobre meu rosto, aquelas lágrimas salgadas que são trazidas
por uma lembrança. Aquelas lágrimas quentes que os olhos derrubam quando se
enchem com uma imagem que não existe mais. As lágrimas abundantes que escorrem
pelo queixo e encharcam o peito, elas que são uma carícia gentil a quem quer
voltar no tempo. Eu quero estas lágrimas na maior quantidade possível, porque
tê-las é como certificar-se de que a vida valeu à pena.
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Aqui jaz tudo o que
quero. Aqui fica estabelecida a ideia da vida que quero levar. Três desejos
simples, três razões pelas quais levanto todas as manhãs. Três necessidades que
me impediram já, uma vez, de desistir da vida. E hoje não abro mão da vida até
que tenha levado esta vidinha que quero levar.
Nem eu sabia que eu já tinha escrito esse tipo de coisa.. Estava revirando um pen-drive em busca de rascunhos abandonados do romance que eu nunca vou terminar de escrever e acabei encontrando essa amostra de sabedoria da Calíope de 17 anos. 3 anos atrás. Gracinha! Que tipo de coisa VOCÊ fazia quando tinha 17?
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