sábado, 14 de dezembro de 2013

A vida que eu quero levar

da vontade que eu tenho de explicar o que sinto.

Tenho 17 anos. As crianças me veem enorme, me têm como exemplo. Sou até um tipo de heroi pra algumas, muitas se imaginam sendo como eu, um dia. Os adultos me veem em crescimento, fingem que ouvem a minha voz e acabam não se importando com o que eu penso. Sou até criança para alguns, muitos até me imaginam como eles, um dia, na ilusão de que isso seria “evoluir”...
Já fui criança, já vi minha irmã ser um heroi para mim. Já sonhei: quis ser lixeira pra poder me pendurar no caminhão em movimento, quis ser macaca para ter um rabo que faz maravilhas, quis ter dezoito anos pra poder dirigir. Hoje, a ideia mais atraente – confesso – é a de ser macaca. Um rabo, de fato, me seria muito útil.

Tenho dezessete anos e tenho que decidir o que fazer da vida. É a hora de fazer a escolha da vida que se quer levar, por isso vou contar tudo o que desejo para o meu futuro.
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Eu quero um amor de verdade. Correspondido, por favor! Eu quero as tais “borboletas no estômago”, quero o tal ridículo do “ah, desliga você!” ao telefone, quero ter alguém que vai corresponder cada beijo e cada abraço que eu não vou hesitar em dar. Eu quero ter alguém que a mim inspire quando eu for escrever, quero um nome pra rabiscar nas horas de tédio, quero alguém pra ligar no meio da madrugada só para contar o sonho que tive. Porque, na minha concepção, amar acontece intelectual e emocionalmente; o físico do amor é apenas o nosso jeito humano de dizer “te amo”.
Eu quero ter orgulho de mim. E que tenham-no também, por favor! Eu quero me olhar no espelho e soltar aquele risinho suave dos satisfeitos e que o mundo veja minha figura e reconheça minhas qualidades. Eu quero ouvir sete “parabéns” por dia e que não sejam de aniversário, quero gostar do que faço e que as pessoas apreciem os resultados. Quero ser importante, quero mudar vidas, tocar almas, consolar corações, confortar os perturbados e abraçar os carentes. Quero ser sábia das idéias, aprender todas as lições da vida e transmiti-las com beleza.
Eu quero as lágrimas leves. E bem redondas, por favor! Eu quero piscar meus olhos com um pensamento na cabeça e sentir aquele nó na garganta, a pressão no peito, o formigamento no rosto, a moleza nas pernas e o vazio na barriga... Quero o doce contato das lágrimas leves e super redondas rolando sobre meu rosto, aquelas lágrimas salgadas que são trazidas por uma lembrança. Aquelas lágrimas quentes que os olhos derrubam quando se enchem com uma imagem que não existe mais. As lágrimas abundantes que escorrem pelo queixo e encharcam o peito, elas que são uma carícia gentil a quem quer voltar no tempo. Eu quero estas lágrimas na maior quantidade possível, porque tê-las é como certificar-se de que a vida valeu à pena.
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Aqui jaz tudo o que quero. Aqui fica estabelecida a ideia da vida que quero levar. Três desejos simples, três razões pelas quais levanto todas as manhãs. Três necessidades que me impediram já, uma vez, de desistir da vida. E hoje não abro mão da vida até que tenha levado esta vidinha que quero levar.


Nem eu sabia que eu já tinha escrito esse tipo de coisa.. Estava revirando um pen-drive em busca de rascunhos abandonados do romance que eu nunca vou terminar de escrever e acabei encontrando essa amostra de sabedoria da Calíope de 17 anos. 3 anos atrás. Gracinha! Que tipo de coisa VOCÊ fazia quando tinha 17? 

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