terça-feira, 15 de outubro de 2013

De um post no Facebook

Hoje é dia do professor, o profissional que mais influenciou na minha vida! Não apenas porque tive a sorte de encontrar valiosíssimos exemplares desse grupo, mas também porque minha mãe e a mãe dela são professoras.

Em meio a tantas boas experiências e tão grandes aprendizados, cresceu em mim uma gratidão que eu nunca soube expressar. Aí um dia postei no Facebook:

*    *    *

~das palavras que eu nunca consegui dizer~

Eu sei que já fui o exemplo mencionado em váários casos do cotidiano escolar, isso não significa que eu tenha sido uma aluna exemplar. E, de fato, nunca fui. Rebelde, nas aulas de matérias que me interessavam eu passava no máximo 20% do tempo prestando atenção, aprendia o que me interessasse, decorava o que interessasse ao professor que eu soubesse na prova. Os outros 80% do tempo eu passava fazendo alguma coisa, às vezes da aula, quase sempre de conversa e bate-papo. 

Nas aulas de matérias que não me interessavam, eu passava no mínimo 20% do tempo tumultuando, enchendo o saco e defendendo minha rebelde opinião de que "Nunca vou usar isso na vida!!". Os outros 80% do tempo eu passava fazendo alguma coisa, às vezes lendo um livro de alguma coisa que me interessasse, quase sempre conversando (e até mesmo matando aula! O: )

Não me orgulho dessa conduta um tanto quanto revolts, mas também não me arrependo. Com o tempo, criei um grande carinho por muitos dos meus professores. Minhas experiências em sala de aula e minhas vivências com essas pessoas me transformaram em quem eu sou. Todo o respeito e admiração pela profissão que é tão injustiçada eu adquiri em sala de aula, de ver e viver uma realidade com meus professores. Mesmo que eu só tenha prestado atenção em 20% do tempo. Mesmo que eu fosse rebelde e só aprendesse o que me interessasse.

O futuro que veio pra mim depois desses fatos provou que eu devia ter prestado atenção em no mínimo 80% do tempo de TODAS as matérias. Que deveria ter aprendido mais o que era do interesse dos professores do que o que era do meu interesse... Não passei em faculdade nenhuma que queria ter passado. E mesmo hoje, dois anos depois de terminar o ensino médio, ainda não consegui entrar em uma instituição de ensino superior. 

Só isso pôde me mostrar que eu nunca quis partir pro ensino superior!

"Só é possível conectar os pontos quando se olha para trás", Jobs já falou. E meu "fracasso" de começar uma faculdade que não queria e largar após um semestre, meu "fracasso" de arrumar um emprego antes de me formar, meu "fracasso" de largar esse emprego.. Tudo isso serviu para me mostrar que eu estava fazendo certo. Não "certo" como dizem por aí, mas "certo" como funcionaria para mim.

Aí outro dia eu estava pensando nas tantas vezes que fui para Conselho Escolar no final do ano. Imagino um tribunal: eu estou na cadeira do réu. Os advogados de acusação são os professores de exatas, argumentando que sou um projeto de trombadinha, que sou uma garotinha mimada, que sou uma rebelde sem causa e que repetir de ano pode me ensinar a lição. Os advogados de defesa são os professores de humanas, argumentando que é só uma fase adolescente idiota, que eu ainda vou tomar jeito, que tenho potencial para dar certo e que talvez possa ser ano que vem.

O réu foi absolvido. Mas no Dia Do Julgamento ( = Vestibulares) pagou todos os seus pecados. Que frustração!! Que vontade de se arrepender, mas no fundo, no fundo uma falta de "Norte". Uma dúvida existencial "Eu não devia me sentir mal por não ter conseguido? Até meus colegas mais lerdinhos conseguiram.. Cadê o peso na minha consciência?" e, na verdade, a única coisa que me preocupava era estar "fazendo errado" e estar envergonhando meus bons advogados de defesa de tempos passados. 

Passei muito tempo com vergonha dos professores que com certeza me defenderam naqueles Conselhos Escolares. Passei muito tempo imaginando que eles se arrependiam, que haviam perdido a fé em mim. Foi muito difícil. Mas o tempo é professor! (E eu amo professores!!) E eu finalmente aprendi que mesmo fazendo o errado, tudo isso foi o certo. Porque para algumas pessoas, o errado é que é certo! 

Profinhos lindos que marcaram minha formação (mesmo que ela acabe nunca sendo de nível Superior), muito obrigada pelo voto de confiança. Vocês me ensinaram a acreditar em mim e - como verdadeiros Mestres - ensinaram pelo exemplo. Obrigada! Cheguei ao ponto que precisava: eu confio em mim! E agora posso garantir: mesmo que percam ou que já tenham perdido a confiança, calma. Seu colega de profissão, o tempo, ainda vai me ajudar a provar que valeu a pena. Eu ainda vou "dar certo" na vida (ou "errado", já que esse é meu certo  )

Todo meu carinho e meus votos de sucesso a esses profissionais com que passei maior parte da minha vida.. E também, à mais importante professora da minha existência: minha mãe. Que mesmo me atrapalhando em algumas decisões, que mesmo não me entendendo em momentos de rebeldia, que mesmo não sabendo demonstrar, sempre confiou muito em mim. Que mesmo passando mais tempo em sala de aula do que na sala de casa comigo, mesmo assim, deu seu jeito de me ensinar Valores e de me ajudar a crescer.

Eu nunca vou ter formação de nível Superior. Mas acho que é bem superior o nível da formação que recebi até hoje. Sou grata a todos meus "fracassos" que me trouxeram até aqui.

"Fracasso" é só uma outra palavra para "aprendizado".



Persistentes na hora de iluminar meus pensamentos!
Esse post foi SUPER comentado lá no face. Especialmente porque marquei todos os professores que tenho na rede (risos). 

Bom.. Ainda não me vejo fazendo faculdade, e sempre me pergunto se não seria esse o caminho que deveria tomar. Mas de um jeito ou de outro, quando alcançar o sucesso, os Professores que encontrei pela vida serão os primeiros responsáveis. 


No seu dia, Professor, meu muito obrigada por ter escolhido essa profissão. 


Aos meus profinhos lindos, um muito obrigada ainda maior! Pela escolha da profissão e pela dedicação à minha pessoinha.


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