quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Peitos e sutiãs

No geral, mulheres com bastante peito não mudariam isso, enquanto as mais desprovidas de comissão de frente se submeteriam à uma cirurgia plástica para reverter o "vazio". Quem já assistiu Quanto mais quente melhor [Some like it hot], deve ter percebido quando a personagem de Marilyn Monroe elogia o homem disfarçado de mulher [Jerry/Daphne] em seu traje de banho feminino. Sugar diz:
- Daphne como você tem ombros largos!
- Haha! É de tanto carregar aquele baixo pra todo lado! [disfarçando]
- E o traje de banho fica bem melhor em você do que em mim... Seus peitos são menores.

Pra um telespectador contemporâneo, isso não faz sentido, já que hoje em dia "quanto mais peito melhor". E a mulherada se desdobra em artimanhas pra aumentar as petchugas...

As expectativas são cruéis no mundo de uma mulher de (falta de) peito..
Os peitos ganharam tanto poder nos dias de hoje, que eles não só contratam mulheres e acabam relacionamentos, mas também são ofensivos. Verdade, eu não consigo entender... Aceitamos biquinis [droga, tive que jogar no Google pra aprender a escrever isso!] com naturalidade na praia e na piscina, os homens olham, as mulheres também e ninguém se envergonha. Mulheres de biquini conversam e interagem com homens de sunga e ninguém se machuca, ninguém se embaraça [a não ser que...]. Mas enfim, biquinis muitas vezes menores que muitos sutiãs são figurino enquanto uma menina conversa, por exemplo, com seu pai (ou algum homem da família) e tuudo bem. Mas se o pai tromba com sua filha só de calcinha e sutiã pela casa, um enorme embaraço surge no ar.
Já fui "flagrada" vestindo calça jeans e sutiã à caminho da área de serviço para procurar uma blusa específica na roupa sem passar. Eu confesso que nem tinha pensado "estou tão obscena e vulgar assim, acho melhor vestir uma blusa para ir buscar a blusa que eu realmente vou usar". Que nada, simplesmente pensei "merda! Deve estar na roupa sem passar..." e fui buscá-la. Descendo as escadas, encontrei meu pai subindo os degraus:
- Oi! - falei rindo quando me toquei da minha semi-nudez. E ele fez um gesto de negação, torcendo o nariz como quem pensa "é necessário isso, Calíope? Vai se vestir!" e, pensando que esse seria o pensamento dele, pensei "mas é isso que eu to indo fazer!!" e nos passos seguintes eu estava intimamente irritada com meu pai por algo que ele nem tinha feito.

Mas outras vezes meu pai abriu a porta do quarto sem bater e me flagrou de sutiã, secando o cabelo e falou - gaguejando - o que tinha vindo falar ou balbuciou um "depois quero falar com você" embaraçado. E desde sempre eu me pergunto porque será que os sutiãs são vilões e os biquinis herois quando sua relação com os peitos é a mesma. É, acho que os peitos estão poderosos demais, como aquelas pessoas "de influência" com as quais não interessa "como" se interage, mas "quem" interage. Os biquinis são outras pessoas "de influência", que podem fazer certos comentários; enquanto os sutiãs são pobretões que, num simples "olá", ofendem a moral dos peitos-todo-poderosos.

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