Ok, convenhamos, todo mundo sabe que a comunicação filhos-pais é um baita desafio! Em casa não é diferente.. Por mais que se converse bastante, que as refeições sejam sinônimos de bate-papo e que debates ideológicos sejam frequentes, se você - filho - quer falar com eles - os pais - aaah.. se deu mal, nego!
É como se nunca fosse um momento apropriado pra se falar aquilo pros pais; todo momento é inconveniente. Os pais estão sempre ocupados demais com as suas neuras e sempre se esquecem de nos perguntar quais são as nossas. Nossos velhos só querem botar pra fora seus problemas financeiros, do trabalho, com o mecânico que fez gambiarra e daí o carro... Alguém precisa lembrá-los que parte de ser pai/mãe (uma parte até que bem grandinha, eu diria) é formar um indivíduo, o que inclui auxiliar na exclusão das nossas paranoias, nas soluções dos nossos grilos! Enfim, eles ficam totalmente "fechados para balanço" e daí reclamam que não nos abrimos e que não confiamos neles... Como se comunicar com essa geração insana que não dá a mínima mas tem que fingir que sim? Se seus pais são adeptos da literatura de banheiro, já achei a solução!
Eu mesma, ultimamente estive pensando em publicar em meio às revistas do banheiro a minha cruel dúvida quanto a profissão. É foda ter que chegar pros seus pais, vivendo você numa cidadezícula interiorana, e dizer "oi, pai.. oi, mãe.. então, eu quero trabalhar com cinema ou animação, sabe? Quero fazer desenhos animados para crianças ou dirigir longas. Logo, minha faculdade deverá ser ou particular, ou uma USP em São Paulo, UFMG em Belo Horizonte, UFF no Rio de Janeiro. Lembrando que a UFF é a melhor escola de cinema que tem, viu?". Pela tarefa ser árdua e pelos meus pais não estarem nunca de bom humor, eu cogitei escrever um artigo especial pra eles lerem no banheiro...
Mas essa situação me faz pensar em outros problemas adolescentes que seriam abordados no banheiro. Um papel dobrado, por exemplo:
"Para Mãe. (Pai, NÃO LEIA!)" e dentro:
"Mãe, o MeuNamorado acha que já estamos juntos a tanto tempo e nos amamos tanto... Parece que ele quer fazer sexo, mas não sei se eu estou preparada, sabe? Eu devia conversar com ele? Você teve esse problema com o pai?" Provavelmente, embaixo aparecia a resposta:
"Minha filha, seu pai nunca me forçou a nada, ele sempre foi um cavalheiro. Se o Caique está te pressionando é melhor você se livrar desse marmanjo!" escrito com a letra do Pai, claro!
Outro tema a abordar que usaria também um papel dobrado, em nome do suspense:
"Papai & Mamãe, sentem-se e SÓ ENTÃO leiam...", desdobrando:
"Preciso de um conselho de vocês porque não sei como lidar com essa situação. Vocês já passaram por isso e acho que poderiam me dizer o que fazer... A questão é, como vocês contaram pro vovô que eu iria nascer?" Chocante, sutil e criativo!
"Pai, comprei um 'bagulho' de um amigo na escola outro dia, daí algum desgraçado roubou da minha mochila! Você entende... não dá pra recorrer à direção, o que eu faço? Ah, se eu achar quem foi... Vou descer a porrada no filho da puta!"
"Meus pais, depois que eu vim, a filhinha de vocês, vocês pensaram no que um filho homem poderia dar pra vocês? Digamos que uma nora eu garanto..." este estaria no meio de uma reportagem sobre homossexualidade, só pra ser "épico"
Você é pai? Você é mãe? Eu não tenho nada a ver com isso, mas não simplesmente tente questionar seu filho sobre seus problemas com aquela sede, com aquela curiosidade preocupada que supera o real interesse. Tente não fazer "AAAAAHNN" (aquele Ahn que sai com o som de um suspiro, que vem sempre acompanhado de olhos arregalados, um aceno negativo de cabeça e que sai pela boca escancarada) se seu pequeno/a confessar que se meteu com drogas, que rolou sexo com o namorado/a, que tá se descobrindo gay/bi. SE seu pimpolho chegar a contar alguma coisa pra você, das duas uma: ou ele tá mesmo muito desesperado, ou ele realmente confia muito em você. Ambas as situações exigem o mesmo jogo de cintura: mostrar ouvidos atentos, não negar nem aprovar, estimular a criatura a pensar com C A L M A... Mostra pra ele que você não liga pra aquilo tudo que importa pra sociedade, orgulhe-se daquele pedacinho de gente que faz parte de você, tire das costas dele a preocupação de ser aprovado pelos pais, mostre sempre que ele vai ser sempre o seu filho. Drogado ou não, gay, bi ou hétero, virgem ou não... Enquanto o seu filho achar que há alguma chance de ele perder pontos no seu conceito, enquanto você não mostrar pro seu filho que ele é o que mais importa, não as escolhas dele, então - sinto muito - seu filho não vai conseguir confiar em você. A gente não tem que julgar quem ama, tem só que aceitar, amar e ajudar.
Adorei o blog! li todos os textos ate o final! vc escreve muuuuito bem ;)
ResponderExcluirObrigada, obrigada... [cada vez que um comentário me elogia eu ouço as palmas de uma imensa platéia e sinto como se carregasse a estatueta do Oscar nas mãos, por isso o obrigada 2 vezes, que deve ser lido com aquela entonação de modéstia de quem é premiado]
ResponderExcluirNão poupe comentários, limite de 140 caracteres é coisa de Twitter =P
Primaa.... estou muito orgulhosa de você, apesar de ser "só rascunho". Dei muita risada ao ler pois fiquei imaginando cada cena. Continue escrevendo , muito sucesso e parabéns. Beijos
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