domingo, 24 de julho de 2011

Ah, a criançada...

Que criança fui eu! Eu fui terrível, não há dúvidas. Imagine uma menina dos dentinhos da frente separados, com olhinho de gato e com aquela fofura que é automática das crianças... Eu! Por ser uma menina, todos que estabeleciam contato comigo só queriam me embonecar. E a Calíope criança era, à primeira vista, a "belezinha", a "coisinha linda", a namoradinha do filho daquela que se babava por mim (aff!). Mas isso era só o que os olhos contavam às pobres mamães idealizadoras... Ah, quantas sogras eu devo ter desapontado!
Meu sorriso Colgate
Essa menininha toda cuti-cuti adorava os seus amigos, principalmente porque estando com eles ela podia brincar do que gostava. Sim, eu tive predominantemente amigos meninos na minha infância... A pequena Cali corria, se escondia, brincava de carrinho, fazia com os dedos uma arma e com a boca onomatopeias de guerra! Subia em árvores, caía, ralava o joelho, pulava e perdia a tampa do dedão. Colecionava dinossauros (eu os tenho até hoje) e queria muito um carrinho de controle remoto (eu ainda não ganhei meu carrinho...). Eu ganhei uma cozinha [cara indescritível de desdém]. E nessa cozinha eu me diverti pra caralho! Minha amiga da casa em frente era uma das minhas poucas amigas meninas, porém ela também era terrível. Nós passávamos as tardes de fim de semana e de férias correndo pelo quintal de casa, pulando muros e escalando árvores, inventando aventuras na selva... Quando ganhei minha cozinha, eu não sabia o que fazer com ela (eu queria mesmo era um carrinho de controle remoto, pô!), mas duas cabeças funcionam melhor do que uma....

O que todos pensaram que seria o fim das roupas imundas de terra acabou sendo ainda pior. Minha amiga e eu começamos a pilotar o fogão: cozinhávamos barro, fazíamos suco de plantas esmagadas e minhas roupas continuaram a se sujar pesadamente. Nós não abandonamos as aventuras no quintal, claro! A gente ia "fazer compras" pro nosso "restaurante" e acabava se distraindo com um convite irrecusável da selva. Que infância!

Pensar em infância me faz pensar nos melhores anos da minha vida: eu não me preocupava com nada, eu não tinha compromissos, a escola era fácil e eu sempre me diverti muito. Quando eu era criança, a Páscoa era manhã pra se caçar ovos de chocolate (minha mãe preparava pistas espalhadas pela casa e minha irmã e eu nos arrumávamos e íamos encontrando as pistas... era educativo e sensacional); Natal era dia pra achar os presentes embaixo da árvore (ainda não sei se a árvore era enorme ou eu que era pequena). A idade tirou tudo isso de mim.
Hoje em dia, mesmo que eu pegue meus dinossauros pra brincar, eles não conversam mais comigo como faziam antes! Se eu quiser subir na minha árvore pra ver a gravação das nossas iniciais que eu e a minha vizinha fizemos, certamente vou ser tachada de louca! (Bom, isso não me impediu, mas é um ponto negativo para a maturidade) Cozinhar folhas? Ah, dá licença! Não tem mais como gostar disso...

A gente muda e quando eu olho pra trás e vejo que criança feliz, ativa e engraçada eu fui (eu cantarolava o dia todo, me contam; eu tinha uma caixinha vazia onde moravam o Lobinho, o Tubarãozinho, o Morceguinho e outros bichos odiáveis que eram meus amigos; eu imitava dinossauros na rua, saía gritando como um triceratops; eu falava tanto que chegava a estontear qualquer um num raio de dez metros, eu tinha assunto com qualquer um que fosse um ser humano - ou um animal, ou um brinquedo, ou um simples objeto - hahaha). Eu penso no quanto eu devo ter feito a galera aqui de casa sofrer com minha "hiperatividade" (não sou hiperativa, é jeito de falar)) e isso me remete às figuras que eu tanto amo...


Quem já assistiu "Um menino muito maluquinho" na Tv Brasil, sabe exatamente a alegria infantil da qual eu estou falando.... A série é incrível, o menino maluquinho de 10 anos é encantador e a trama tem tudo a ver com a alegria de ser criança.

Bom, a ideia era lembrar vocês de como é bom ser criança... Dizer que a gente deve ser criança pra sempre (porém sem ser infantil), ser alegre e lembrar de ser inocente às vezes. Aos papais e mamães, fica o lembrete de colaborar com a diversão dos filhos, não cobrar maturidade de um adulto, deixar eles se divertirem (à la Omo, 'porque se sujar faz bem') e aproveitarem bem a infância.

Andar descalço, subir em árvores, andar de bicicleta domingo à tarde, dar banho no cachorro, tomar sorvete, fazer vaca-preta, comer bolo de chocolate, ralar joelho, cotovelo, tropeçar no dedão, bater o mindinho, ter medo de Merthiolate (wow! Merthiolate não arde mais!), colecionar bolinha de gude, aprender a fazer textura com giz de cera, comprar 5 reais em chiclete no boteco, brincar de polícia e ladrão, de detetive, jogar stop, tirar o Band-aid do dedo no final do dia e descobrir a diferença da cor da pele formando o desenho exato do curativo... Eu não sei o que seria de mim se tudo isso não tivesse marcado tanto os meus primeiros anos no mundo. É uma ótima estratégia de boas-vindas ao Planeta Terra, não? Vamos recepcionar bem, então, os novatos que vierem...

2 comentários:

  1. CALÍÍ! QUE VONTADE DE SER CRIANÇA! se eu pudesse eu voltava no tempo e te conheceria há muito tempo! MINHA INFÂNCIA FOI TÃO BOA QUANTO A SUA!

    tá indo muito bem, best!
    ;D

    ;*

    ResponderExcluir

Tá pensando no que eu tô pensando? Me diz aí!! (: