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| Meu sorriso Colgate |
O que todos pensaram que seria o fim das roupas imundas de terra acabou sendo ainda pior. Minha amiga e eu começamos a pilotar o fogão: cozinhávamos barro, fazíamos suco de plantas esmagadas e minhas roupas continuaram a se sujar pesadamente. Nós não abandonamos as aventuras no quintal, claro! A gente ia "fazer compras" pro nosso "restaurante" e acabava se distraindo com um convite irrecusável da selva. Que infância!
Pensar em infância me faz pensar nos melhores anos da minha vida: eu não me preocupava com nada, eu não tinha compromissos, a escola era fácil e eu sempre me diverti muito. Quando eu era criança, a Páscoa era manhã pra se caçar ovos de chocolate (minha mãe preparava pistas espalhadas pela casa e minha irmã e eu nos arrumávamos e íamos encontrando as pistas... era educativo e sensacional); Natal era dia pra achar os presentes embaixo da árvore (ainda não sei se a árvore era enorme ou eu que era pequena). A idade tirou tudo isso de mim.
Hoje em dia, mesmo que eu pegue meus dinossauros pra brincar, eles não conversam mais comigo como faziam antes! Se eu quiser subir na minha árvore pra ver a gravação das nossas iniciais que eu e a minha vizinha fizemos, certamente vou ser tachada de louca! (Bom, isso não me impediu, mas é um ponto negativo para a maturidade) Cozinhar folhas? Ah, dá licença! Não tem mais como gostar disso...
A gente muda e quando eu olho pra trás e vejo que criança feliz, ativa e engraçada eu fui (eu cantarolava o dia todo, me contam; eu tinha uma caixinha vazia onde moravam o Lobinho, o Tubarãozinho, o Morceguinho e outros bichos odiáveis que eram meus amigos; eu imitava dinossauros na rua, saía gritando como um triceratops; eu falava tanto que chegava a estontear qualquer um num raio de dez metros, eu tinha assunto com qualquer um que fosse um ser humano - ou um animal, ou um brinquedo, ou um simples objeto - hahaha). Eu penso no quanto eu devo ter feito a galera aqui de casa sofrer com minha "hiperatividade" (não sou hiperativa, é jeito de falar)) e isso me remete às figuras que eu tanto amo...
Quem já assistiu "Um menino muito maluquinho" na Tv Brasil, sabe exatamente a alegria infantil da qual eu estou falando.... A série é incrível, o menino maluquinho de 10 anos é encantador e a trama tem tudo a ver com a alegria de ser criança.
Bom, a ideia era lembrar vocês de como é bom ser criança... Dizer que a gente deve ser criança pra sempre (porém sem ser infantil), ser alegre e lembrar de ser inocente às vezes. Aos papais e mamães, fica o lembrete de colaborar com a diversão dos filhos, não cobrar maturidade de um adulto, deixar eles se divertirem (à la Omo, 'porque se sujar faz bem') e aproveitarem bem a infância.
Andar descalço, subir em árvores, andar de bicicleta domingo à tarde, dar banho no cachorro, tomar sorvete, fazer vaca-preta, comer bolo de chocolate, ralar joelho, cotovelo, tropeçar no dedão, bater o mindinho, ter medo de Merthiolate (wow! Merthiolate não arde mais!), colecionar bolinha de gude, aprender a fazer textura com giz de cera, comprar 5 reais em chiclete no boteco, brincar de polícia e ladrão, de detetive, jogar stop, tirar o Band-aid do dedo no final do dia e descobrir a diferença da cor da pele formando o desenho exato do curativo... Eu não sei o que seria de mim se tudo isso não tivesse marcado tanto os meus primeiros anos no mundo. É uma ótima estratégia de boas-vindas ao Planeta Terra, não? Vamos recepcionar bem, então, os novatos que vierem...

CALÍÍ! QUE VONTADE DE SER CRIANÇA! se eu pudesse eu voltava no tempo e te conheceria há muito tempo! MINHA INFÂNCIA FOI TÃO BOA QUANTO A SUA!
ResponderExcluirtá indo muito bem, best!
;D
;*
Ótimo texto! Mó nostalgia.
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