segunda-feira, 12 de maio de 2014

Manhêêê!!

Na segunda série eu me mudei pra um colégio particular. Um dos materiais necessários era um dicionário de sinônimos da língua portuguesa. Como eu me diverti com aquele dicionário! Adorava caçar palavras e ficar tentando usá-las em frases com meus amigos.. Fizemos isso até a quarta série, e graças a isso é que eu sabia explicar o que era "parábola" naquela aula da sexta série.

Procurava também palavras cotidianas, imaginando que se um extraterrestre de repente aparecesse por aqui, o dicionário lhe poderia ser útil. Foi assim que procurei a palavra "beijo", e só então parei pra pensar que o beijo é "uma pequena sucção".

Hoje reparei que nunca foi necessário pesquisar a palavra "mãe" no dicionário. Nunca.

Mãe a gente sempre sabe o que é... Mesmo quem não tem "mãe-mãe", mesmo, tem alguém que é "mãe", entende? Mãe não é definição, mãe é um significado que acontece dentro da gente, que nem um abraço apertado. Mãe pode ser mulher, homem, parente ou desconhecido, mas sobretudo mãe é sempre um carinho enorme e único que a gente recebe à mesma medida que sente.

E mesmo no caso do ET, ele não precisaria procurar "mãe" no dicionário, porque todo mundo em todas as línguas e em todas as culturas deve ter alguma coisa que seja "tipo mãe" pra si. Algo que se sabe sentir, mas que não se pode descrever em um número finito de adjetivos...

Nesse dia das mães eu estava longe de casa, na cidade em que estudo, e mesmo sabendo que a gente se importa pouco com datas comemorativas lá em casa, fiquei pensando naqueles milhões de vezes que gritei "Manhêêê!!" pra pedir alguma coisa, pra contar alguma coisa, pra mostrar alguma coisa, pra simplesmente saber onde é que minha mãe estava. À noite, na hora de dormir, ecoava ainda na minha mente todas as respostas da minha "manhê" aos meus chamados, ela impaciente, ela irritada, ela preocupada, ela compadecida...

E fui dormir como se ela estivesse sentada na beira da minha cama, do mesmo jeito que já fez tantas vezes quando tive dias ruins. Fui dormir como se ela passasse as mãos nas minhas costas, do mesmo jeito que já fez tantas vezes quando fui dormir chorando alguma tristeza minha. Fui dormir feliz por ter na vida uma "pessoa mãe".

Feliz dias das mães! (atrasadinho)


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