Não tenho fundamentos "oficiais" para argumentar, mas algumas aulas de sociologia e um semestre de antropologia na faculdade já me abriram os olhos pra entender que somos organizados em sociedade. Dentro de nossa organização há uma série de regras e leis - escritas ou não! - que fazem parte da nossa cultura.
Por exemplo, na vida real, uma mulher de roupas curtas exibindo seu corpo é menos respeitada. É vulgar. Não merece respeito porque não SE dá o respeito. Da mesma forma, uma mulher com foto de perfil no Facebook que é 80% ocupada pelo seu decote ofensivo e provocativo (os outro 20% da foto são ocupados pelos lábios cheios de batom vermelho retorcidos em um bico de pato) é menos respeitada. É vulgar. Não merece respeito porque não SE dá o respeito.
E falo isso indo muito além, vamos simplificar. Como se fossem Maiúsculas Alegorizantes, nossas atitudes online carregam um moonte de simbolismos (ou melhor, Simbolismos!) dos quais a gente nem sempre se dá conta.
Eu sou mulher, minha foto do perfil não é como a que eu retratei acima (ainda não comprei um par de peitos, e batom vermelho não combina com meu tom de pele..), e obviamente não é uma das minhas piores fotos! Na Internet, sou uma mulher bonita. Só. Um nome ilegível, talvez.. Mas em alguns cliques, o stalker mais amador consegue descobrir que escrevo o Rascunho, pode ver meus posts anti-machismo, anti-homofobia, revolts, pseudo-revolts e ter uma noção muito boa de como eu sou.
Arriscado, não?
Para muitos, eu sou louca: "Fica expondo sua vida na Internet!! Pra TODO MUNDO ver..!". Minha mãe já me falou algumas vezes que eu fico postando conversas nossas no Facebook e as pessoas vêm comentar com ela depois. Mas e daí? Não é como se eu estivesse contando detalhes sórdidos da nossa existência, eu não escrevo nada DELA, escrevo sobre mim, o que às vezes inclui ela.
Já escrevi aqui no Outros tempos que eu disfarço partes das histórias. Claro! São outras pessoas, que se quisessem ter suas vidas e pensamentos expostos, escreveriam o próprio blog. Isso tem um Simbolismo enorme! Alguém que escreve um blog pode ser interpretado como uma pessoa carente que precisa de atenção, como alguém com ideias e vontade de expressá-las, como um escritor frustrado sem dinheiro nem concentração para escrever e publicar o próprio livro... Como uma mistura de tudo isso..! Muitas interpretações, que dependem unicamente da pessoa que está interpretando.
Quando um desconhecido te adiciona no Facebook, o quê você pensa? Sou mulher e fui educada para desconfiar do pior: homens desconhecidos que me adicionam estão necessariamente dando em cima de mim e só de aceitar o pedido já é permitir que ele chegue chegando na próxima balada. Mulher é menos mal.. A não ser que ela seja assumidamente homossexual no perfil, se for, está dando em cima também. É uma forma extrema de ver as coisas, eu sei, mas é melhor ver extremamente o pior e prevenir-se do que correr o risco de passar por uma situação desagradável: não dá pra adivinhar como cada um percebe um "add". (Leia: Me add?)
| Calíope cutucou você. Cutucar de volta? |
Escrevo um blog, sim. Posto parte da minha vida, sim. Mostro a cara, posto foto, meesmo! Mas isso tudo é só a Calíope online. Na vida real temos várias partes impublicáveis... Tipo o número 2 que to indo ali fazer agora. Ops! Não precisava ter falado, né..? Ou você quer uma foto?
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