Dia do professor.
Legal.
É uma pena.
É uma pena que eu não consiga escrever algo com o teor cativante e apaixonado, o mesmo teor que carregava as aulas dos melhores professores que já tive, figuras realmente inspiradoras.
Fazer o quê?
É uma pena que eu não seja Álvaro, carregando comigo o lado fantástico da história do mundo, armazenando datas, enfatizando o caráter e a personalidade das figuras históricas que se estuda na escola. É uma pena que eu não me lembre o nome do Papa que deu a luz, que não me lembre das mulheres de Henrique VIII (será que era ele mesmo?), que não me lembre mais das baixarias que envolveram a dinastia Tudor. É uma pena que esse parágrafo não será tão bom como foram as aulas do Álvaro.
É uma pena que eu não seja André, artista! Que não tenha cravado no cérebro a visão do mundo em matéria de arte, que não saiba muito além dos traços básicos de expressão de um rosto. É uma pena que não seja capaz de montar esse parágrafo como se fosse uma peça musical para o Sarau do fim do ano no colégio, que eu não vá ser capaz de prender e encantar tantos olhos como encantava aquele professor com sua arte, com sua destreza invejável. É uma pena que eu não tenha aprendido mais com André.
É uma pena que eu não seja Déborah, claramente uma figura inspiradora a todas as crianças de 8 anos que a conheceram naquele 2002. Que eu não seja doce e delicada, sutil no tratar com os outros... Que eu não tenha esses ingredientes para acrescentar nas malhas desse parágrafo, que minha risada não seja contagiante, que eu seja incapaz de ser uma "tia" tão boa como a que tive na escola há 10 anos atrás. É uma pena que com a Déborah eu não tenha aprendido a ser assim, senão a admirar toda essa habilidade do ensinar.
É uma pena que eu não seja Lucía, a cubana provocadora, cuspindo as verdades na sua cara, sem medo de lançar uma frase ofensiva, desde que seja para o seu bem. Que eu não seja capaz de ser ao mesmo tempo mestre, de ensinar e transmitir sabedoria, e mãe, de consolar e abris os olhos a cada passo. Que eu não esteja nem próxima de ter vivido o que viveu essa maestra, que eu não conheça Cuba para comparar ao Brasil. É uma pena que eu não tenha aquele sotaque espanhol para colocar nesse parágrafo, que eu não tenha o brilho e a auto-confiança que tem Lucía.
É uma pena que eu não seja Andréa, ponderada e racional. Que eu perca o controle em uma situação mais difícil ao invés de simplesmente cerrar o cenho, olhar por cima dos óculos e - numa pergunta - encontrar já o caminho mais correto à resolução do problema. Que eu não saiba a gramática da língua inglesa tão claramente como sabe a teacher, que eu não tenha aquele carisma capaz de contagiar qualquer público. Que eu não tenha aquela eloquência, aquela compostura firme na posição de mestre em sala de aula. É mesmo uma pena que esse parágrafo não consiga transmitir a certeza de Andréa.
É uma pena. É mesmo uma pena que eu não seja nem um décimo de cada professor maravilhoso que conheci.
É uma pena que eu não seja Déborah (Ensino fundamental), André (Arte), Gustavo (Ed. Física), Patrícia (Biologia), Isabela (Arte), Regiane (Biologia), Viviane (Língua Portuguesa), Luiz - Shogun - (Geografia), Marcelão (Ciências), Cassiano (Redação), Dani (Inglês), Lucía (Espanhol), Andréa (Inglês), Josiane (Matemática/Física), Jeanne (Gramática), Rosa (Ed. Física), Daniel - Jesus - (Geografia), Álvaro (História), Almir (Sociologia), Beto (Teatro), Carlinhos (Bateria), Luciano (Física), Lena (Língua Portuguesa/Redação), Vilma (Gramática), André (Filosofia/Sociologia), Maria Andréa (Biologia), Rozeli (Biologia) e tantos outros.
É uma pena que eu não seja nenhuma dessas figuras, que não tenha sobre ninguém a influência tão positiva que tiveram sobre mim, que eu não inspire uma sala (ou no mínimo uma aluna esquisita do fundão) como eles inspiraram. É uma pena, sim, mas não há o que lamentar quando penso no maravilhoso trabalho que fizeram, na sua sincera vontade de ensinar, na sua fé na educação, na sua confiança em nosso aprendizado, no brilho dos olhos de cada um sempre que conversamos como amigos. Não há o que lamentar quando essas pessoas cumpriram com seu papel como puderam e, pelo menos a mim, ajudaram a ser uma pessoa melhor. Não há o que lamentar quando penso neles, em cada um deles, em nossa rotina na sala de aula e nas vezes em que me colocaram - sem querer - na cabeça, a ideia de ser professora.
É lindo o modo com que eles fazem que eu me sinta, é lindo o serviço que eles prestam à humanidade escolhendo essa profissão. É com carinho, com meu jeito particular inspirado neles que coloco minha gratidão em caracteres. É com lágrimas nos olhos que agradeço - Muito obrigada! - e espero pelo dia que todos os alunos terão a sorte que eu tive: de ter tantas figuras inspiradoras tão presentes nas suas vidas.
Parabéns pelo seu dia, Professor.
Muito obrigada a todos esses ícones que carrego comigo a cada passo. Que muitas vezes são lembrados em minhas vivências por seus ensinamentos - pelos de sala da aula e pelos de bate-papo no intervalo. Um dia seu trabalho será devidamente valorizado. Amém.

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