Lembro de uma camiseta que vi uma apresentadora da MTV usando uma vez, se não me engano, era uma tecla de shift que dizia:
"Shift
happens!!1"
Genial! O erro que a gente sempre comete, de deixar um "1" escapar no meio das empolgadas exclamações, o erro cometido propositalmente parafraseando um ditado popular americano [seria essa a classificação?]. Enfim, acho genial! Mas sempre que tento fazer isso, as pessoas ao meu redor não entendem... Que merda!!!!!1
Aí, me identifico com os humoristas "politicamente incorretos". Bom, essa briga é feia e não sou eu quem vai bater o martelo agora e indicar culpados e vítimas, mas vou falar um pouco o que penso. Sou bem em cima do muro nessa questão, admito, porque não gosto de piadas ofensivas contra negros, gays, mulheres, deficientes físicos nem nada; mas acho que uma certa maldade no humor não faz mal a ninguém. Ou melhor, faz sim, mas a gente tem que ser sábio pra interpretar, saber rir da tragédia.
Eu acabei de desistir da faculdade, voltei pra casa e minha mãe e minha vó encanaram que eu não podia ficar desocupada até o fim do ano só esperando o vestibular: arrumaram emprego pra mim em uma clínica veterinária. Lá eu fico um pouco no banho e tosa, mas também ajudo na clínica: moral da história, quando não estou tirando restos de cocô do fuiofó dos bichinhos, estou limpando caixa de areia de gato internado! Fazer o que? Eu falo desse jeito em casa, dou risada da "tragédia", mas só porque gosto muito de todo o tempo que passo na clínica. No fim das contas, minha piada só ilustra uma visão que muitos podem ter acerca da minha situação: ter largado um futuro promissor e ter me entregue a um emprego de (limpar) merda. Então quando está a família toda junta pro almoço e eu começo a imitar minha vó dizendo que tem "netas maravilhosas! Uma que já se formou em sei-lá-que-tem de alimentos e trabalha! Outra que tá fazendo faculdade agora, de um negócio-lá-de-administração, vai acabar tendo uma empresa! A outra que se formou jornalista, agora trabalha no jornal e também na rádio aqui de Piraju! Só a Calíope que, pela-mor-de-Deus, viu! Tava estudando lá, tinha tudo pra dar certo e me volta pra casa... Vai lavar cachorro!!" e todo mundo da risada do trash da situação, não me sinto ofendida, mas minha cabeça entende que um emprego como o meu atual é geralmente visto como "emergente", como uma coisa provisória e bem inferior se comparado à graduação. E mais ainda, não larguei a faculdade para vir trabalhar, larguei pra tentar entrar em outra que seja o que eu quero, voltei pra casa pra correr atrás do meu Grande Sonho [que é aquele que te alimenta a alma, que brilha os olhos e que te dá razão pra vivier mesmo nos dias mais tristes sob o céu chuvoso mais cinza]. Então dou risada.
Seguindo o mesmo raciocínio, dou muita risada de piada de pobre, de caipira, de negro, de gay, de mulher! Percebo a homofobia, o racismo, a misoginia, o preconceito todo, mas reconheço a ilustração que a piada faz. Acho tosco quem se azeda por qualquer piadinha, mas fecho a cara quando vejo que a piada foi feita com intenção de machucar, mesmo.
É, sou defensora da moderação, acho que o excesso é um vício tão negativo quanto a falta! Assisto stand-up comedy, sim; dou risada de piada de gorda, sim. Pois se todo mundo tiver sempre medo de ofender, então um dia só restarão as piadas de pontinho.
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