Sem mover seu traseiro rechonchudo por um único milímetro, então, o homem se fez capaz de mudar de canal! Propaganda? ZAP! Filme infantil... ZAP! Programa de auditório... ZAP! Receita de bolo... ZAP! Exorcismo... ZAP! Missa... ZAP! Polishop... ZAP! Leilão de joias... ZAP! Bois correndo pra lá e pra cá na tela... ZAP! Documentário sobre as formigas... ZAP! Clipe de música... ZAP! ZAP! ZAP! ZAP! Até que você volta pro canal do seu programa e ele já voltou do comercial.
Mas! Zappear não é simplesmente apertar o channel+ ou channel- no seu controle remoto, não! O zapping é uma arte e deve ser respeitado como tal! Fico louca quando estou assistindo Tv com alguém e o controle está com a outra pessoa, sendo que essa pessoa é uma pessoa sem timing nenhum para um zapping de respeito. Hoje foi minha mãe, estávamos assistindo sei-lá-o-quê (eu não estava prestando atenção, me entretia com um sanduíche de queijo e salame) e então deu o intervalo. ZAP! Ela mudou de canal, na tela uma mulher entrevistava um médico questionando sobre coconut oil: Polishop. Me lembrei de todo o ensino médio enquanto ouvia o médico falar sobre gorduras saturadas e poliinsaturadas e quando comecei a me interessar... ZAP! Ela mudou de novo. Me irritei de leve, ela não tem culpa que eu tenha essa quedinha pelos canais de venda como Polishop e Shoptime. Uma animação brilhava na tela, uma narração em voz de mulher falava da arte, mas sem deixar revelar o ponto em que pretendia chegar. O texto era tocante e seria covardia querer reproduzi-lo aqui, eu não seria fiel, traí o meu mastigar, levantei o olhar da direção do prato e apontei pra Tv com os olhos. Fiquei com a boca largada no fim de uma mordida, apertei as sobrancelhas prestando atenção... A música de fundo indicava o clímax do comercial, eu estava prestes a descobrir qual era o produto vendido ou a ideia de fendida ZAP!!
Expirei forte pelo nariz, num bufo de raiva; cerrei o cenho, indignada; joguei o pão no prato, furiosa; virei pra trás, mirando minha mãe com o olhar "Agor..."; mordi a língua no exercício mal calculado. Me voltei pra mim mesma, com as mãos cobrindo a boca; respirei fundo praguejando em segredo; salivava por causa da mordida, continuei a mastigar... "Aii..!". Minha mãe: "O quê foi?", expliquei, ainda com a lembrança da dor, com duas lágrimas querendo-não-querendo sair do olho: "Agora que eu ia entender do que tratava a propaganda...!". Ela voltou no canal, só vi o brasão do Paraná e uma narração que indicava "uma iniciativa do governo estadual do Paraná".
É por isso que eu gosto de mandar no controle remoto.
| O Ministério da Saúde adverte: o zapping tem poder alienante. Use com moderação. |
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