terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Sobre Sorocaba, ciclovias e bicicletas

Antes de mais nada, o Sol é uma dádiva. Insolação é o preço que se paga..

Agora sim: muito legal que a Prefeitura de Sorocaba tenha feito parceria com o Sistema de Bicicletas SAMBA e agora todos que tenham o cartão social (cidadão) de ônibus podem retirar as biciletas nos pontos pela cidade e usá-las gratuitamente por uma hora (nos fins desemana, 2 horas). Saiba mais sobre o IntegraBike

Desde que vi as ciclovias de Sorocaba desenvolvi altas fantasias, aquelas calçadas vermelhas fazem eu me sentir num tipo de Oscar suburbano sobre rodas. Mas meu fogo no rabo infantil só chegou ao ápice quando vi que as bicicletas tinham cestinha. Bicicleta de cestinha é um MUST!! (Uma vez meu pai adaptou uma cestinha de prendedores de roupa pra minha bicicleta. Foi um dos dias mais felizes na minha vida) Fui ao posto de atendimento da URBES, no Terminal São Paulo e cadastrei meu cartão de ônibus pra usar as bikes (com cestinhaaa!) e hoje matei a lombriga: fui pedalar.
O Tapete Vermelho


Não há GIF em toda a internet que possa expressar minha alegria ao retirar a bike com cestinha e descobrir que ela tinha uma sineta. TRIIMMM!! Saí do ponto com um riso de orelha a orelha, passei pelo Pátio Cianê tocando a sineta pra todo mundo TRIIIMMM! TRIIMMM! CALÍOPE ESTÁ PASSANDO! E OLHEM: A BIKE DELA TEM CESTINHAAA! Ri alto de alegria quando um casal de velhinhos que andava de mãos dadas me acenou, sorrindo. *--*

Durante o percurso e saboreando a adrenalina de não saber exatamente como chegar até a rodoviária, descobri que Sorocaba não é nem plana nem íngreme: ela é ilusão de ótica! Sério: meus olhos diziam que a inércia seria capaz de me levar de A a B, mas a realidade exigia que eu pedalasse. Vai entender...

Muito "macho", pra compensar a alegria bixa de ter uma cestinha na bicicleta (E UMA SINETA!! TRIMMM! TRIIMMM!), coloquei na marcha mais pesada. É que assim pedalo menos vezes, fazendo uma força maior, e "andando mais". Sem contar que em marchas leves eu me sinto uma gazela correndo pelos campos, me sinto mole. E de mole, bastam os glúteos. Aliás, só hoje eu descobri a localização exata deles e das minhas panturrilhas. Ouch!!

Parei numa praça onde tinha uma viatura pra pedir informação ao policial, que me ensinou como chegar à rodoviária. Enquanto agradecia, com toda minha destreza canhota de pessoa desengonçada, soltei o guidão para prender melhor o cabelo e derrubei a bicicleta - que obviamente caiu no pé do policial. "Êpa!" ele falou, e eu tentei me desculpar, mas usei a construção frasal mais embaraçosa que existia para aquela situação:

"DESCULPA! É que a minha tem o cano mais alto, e eu consigo segurar entre as pernas.." - me arrependi. Ele riu. "Não foi nada..". Peguei minha cara que havia caído no chão, ao lado da bicicleta, "Tenha um bom dia.." e pedalei pra fora dali. Na hora de atravessar a rua eu já estava feliz de novo, toquei a sineta para os carros que esperavam no sinal, dei tchauzinho pra eles, mas ninguém respondeu. Fodam-se, eu tenho uma bicicleta com cestinha!

"..consigo segurar entre as pernas." DROGA!

Cheguei à rodoviária facilmente, comprei minha passagem, quase morri de exaustão muscular, desidratação, asfixia... Dei uma volta lá dentro, me sentei na sala de espera e tomei um pouco de água. Saí.

Em menos de uma quadra eu já estava desejando neve. Acabara de descobrir que consigo suar mais do que um cavalo.. Você já viu um cavalo suando? É. Eu suo mais.. Dois palmos de língua pra fora da boca, a cara vermelha, o protetor solar escorria com meu suor em bicas e estava ardendo meu olho, eu só queria chegar! Segui pela ciclovia sem nem um pouco do glamour de um evento de gala: o Oscar suburbano não é lá aquelas coisas.. Passei pela Casa do Turista, ofegante pensei "Porra, não tem sombra.. Aqui?". Me perdi.

Parei um ciclista que vinha em direção contrária, "Mooço!!! Terminal Santo Antônio? Pra lá? Né?" acho que o suor lavou de mim a coesão, isso não me impressionaria.. "É. Pra lá. Sim!". Fiquei feliz por ele ter gaguejado tanto quanto eu. E mais feliz por estar no caminho certo, pena que parecia ser o mais ensolarado.

Vi o terminal, fiquei feliz de novo. O último sinal de pedestres que eu precisava passar se abriu para mim como o Mar Vermelho para Moisés. Toquei a sineta de alegria, uma criança no banco da frente buzinou o carro contra a vontade da mãe, que ralhou com a menina enquanto ela dava risada e acenava pra mim, cheguei no ponto de retirada e devolução das bikes. Meu TOC me obrigou a devolver no mesmo lugar que eu tinha pego: no 8, mas estava ocupado.. "Ok, me contento com 8 dividido por 2" guardei a bike no 4. Vi uma sombra, tinha um banco. Uma gari varrendo em volta. Rastejei até lá.

"Com licença! Vou usar essa sombra aqui..." PAFT! Me esborrachei no banco, soltei o cabelo, finalmente respirei. A gari parou, ficou me olhando com um risinho debochado, apoiada na vassoura.

"Moça, no céu tem ciclovia?" e morri.

Na verdade não morri. Fiquei ainda uns 40 minutos conversando com Flávia, a gari. Mas esse papo já é outro texto!

Quem for dar um rolê de bike em Sorocaba, me convide! Eu gosto mesmo das cestinhas, e vocês precisam sentir o prazer de tocar uma sineta para um monte de carros parados no sinal..! TRIIIMM! TRIIIMM!

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