quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Pareço legal, mas...

...na segunda série, na primeira prova do ano em que eu tinha acabado de mudar para uma escola particular, eu espirrei. Meu catarro - verde e grudendo - se esparramou em uma poça verde brilhante que cobria todo o espaço de resposta da questão número 5. Desesperada para que ninguém visse aquilo, limpei tudo com a mão e, sem ter onde enfiar, passei embaixo da carteira. A prova ficou toda enrugada no lugar do meu acidente catarrófrico (digo, catastrófico!), mas a professora nem desconfia. Hoje ela é minha amiga no Facebook, talvez descubra ao ler esse texto. Talvez.



...na terceira série fui aluna da minha mãe. Não só fiquei de recuperação pela primeira vez (na matéria dela, certamente), como também tinha a mania de ficar inclinando a cadeira pra trás. Minha mãe sempre dizia "Vai cair, menina! Pára com isso que estraga a cadeira! Vai cair, mesmo!!". Um dia eu caí de costas, esparramada no chão. Hoje não inclino nem cadeira-do-papai.


A cara dele não foi nem um pouco feliz..
...na quarta série eu detestei um menino pura e plenamente pela primeira vez. Ele era burro, mais estúpido que uma porta, sem dúvidas! Teve uma vez que a professora estava nos ensinando a cortar papel usando a régua de apoio e ela disse "Tem que colocar isso aqui, ó, na régua!" indicando o músculo do braço, o bíceps, fazendo gesto de quem exibe sua força. Quando olhamos, o garoto estava com o braço em cima da régua, debruçado sobre a mesa. Um asno. Eu o detestava tanto, mas taaanto, que um dia ele estava bebendo água numa dessas garrafinhas de apertar, do tipo squeeze, então eu passei ao lado dele e apertei a garrafinha enquanto ele bebia. Ele se molhou todo, foi lindo ver a água afogando a cara dele. Hoje esse menino é um dos que está na pendura para ser aceito no meu Facebook. Continua igualmente burro.

...na quinta série eu briguei com um menino do terceiro médio. Nunca tive nada contra ele, mas ele começou a chamar meu potinho de lanche de marmita e os amigos dele começaram a rir. Eu fiquei irritada e dei uma marmitada na cabeça dele, os amigos dele passaram a tirar sarro dele e voltimeia me chamavam pra fazer piada com a cara dele, dizendo "Vem aqui, mocinha, ele tá precisando apanhar..!". Hoje em dia esse menino é um dos mais lindos que eu tenho no Facebook. Talvez ele esteja precisando apanhar. Será?


...na sexta série meu amigo e eu tínhamos um alfabeto codificado onde cada desenho significava uma letra do alfabeto. Uma menina da nossa sala roubou a nossa folha-chave com o código decifrado e jogou no lixo da quadra - um tambor azul daqueles em que cabe.. er.. digamos.. que cabe uma criança da sexta série. Furiosa, fui tirar satisfação com a garota, e quando ela contou que tinha jogado naquele tambor azul, eu simplesmente a juntei pelo colarinho, levei até o latão e disse "Pega.". Como ela não quis pegar, eu simplesmente a peguei pelo colarinho de novo, debruçando-a pra dentro do latão até jogá-la lá dentro. Não tenho mais esse papel, mas hoje a garota é minha amiga no Facebook. Talvez ela leia... Oi.. err.. Me desculpe, eu fiquei mesmo muito irritada aquele dia. Muito, mesmo.


...na sétima série eu mudei de escola e virei a rebelde mais sem causa do universo. Nada de legal aconteceu naquele ano, foi horrível.



...na oitava série eu fazia parte de uma sala que conversava tanto que chegaram a fazer o mapeamento da sala. Tínhamos lugares fixos pra sentar e - óbvio - eles eram longe dos nossos amigos. Sentava na última carteira da fila da parede, só tinha uma garota na minha frente... Em uma semana eu fiz amizade com ela e nós nunca mais paramos de sentar perto. Nem de conversar na aula.


É. Fui bem cuzona, admito.
...no primeiro médio detestei todos os meninos da minha sala pura e plenamente de uma só vez. Eles ficavam quietos nas aulas de exatas - que eu queria causar, e causavam nas aulas de humanas - que eu queria aproveitar. Por conflito de interesses, peguei ódio mortal de cada um deles. Numa aula de sociologia em que todos estavam quietos, me flagrei assoviando sem querer. A professora virou para trás, culpando os meninos e um deles disse "Não fui eu!". Ele era o mais terrível, e eu era a protegidinha... Quando ele negou a proeza, a professora me olhou de soslaio e eu fiz um gesto afirmativo culpando o menino. Ele foi mandado à diretoria e - por já ter aprontado outras coisas - levou dois dias de suspensão. Ele hoje é meu amigo no Face, mas felizmente detesta leitura!

PFFFFFFFFRR!
...no segundo médio eu cuspi Coca-cola na cara de um menino. Estava com meu amigo na fila da cantina quando bebi um gole da Coca dele, mas antes de sairmos de entre as pessoas ele fez algum comentário muito engraçado... Eu me virei pra rir sem babar Coca na direção dele e, no meio da curva, não aguentei segurar o riso com os lábios. PFFFFFFFFRR! Fiz um esguicho de Coca-cola com cuspe na cara de um garoto completamente "xis", nunca havia trocado uma palavra com ele... Atualmente sei quem ele é e sempre me escondo quando o vejo na rua.



...no terceiro médio eu fiz um trocadilho infame em cima de um comentário da coordenadora. Eu tinha prestado vestibular em Maringá, na UEM, e o resultado acabara de ser divulgado. Várias pessoas da minha sala tinham sido aprovadas, era um dia de comemoração, estavam pintando de guache a cara dos aprovados; mas eu tinha ficado na lista de espera. Estava sentada com uma amiga num banco da escola e a coordenadora perguntou "E você, Calíope", e respondi rabugenta que tinha ficado na lista de espera. "Aah, mas a Lista de Espera é uma grande conquista!" ela disse, e respondi amargamente "Uma 'grande conquista' é um refrigerantão de 20 litros, isso sim!!". Minha amiga riu, eu ri, mas ela ficou um tanto quanto desconcertada. Talvez até rabugenta.

Enfim. Eu pareço legal, mas sou um verdadeiro ânus de pessoa.
Na verdade, pensando bem, nem parecer legal eu pareço..!
Fim.
Quem nunca acordou com cara de bunda?

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