...na segunda série, na primeira prova do ano em que eu tinha acabado de mudar para uma escola particular, eu espirrei. Meu catarro - verde e grudendo - se esparramou em uma poça verde brilhante que cobria todo o espaço de resposta da questão número 5. Desesperada para que ninguém visse aquilo, limpei tudo com a mão e, sem ter onde enfiar, passei embaixo da carteira. A prova ficou toda enrugada no lugar do meu acidente catarrófrico (digo, catastrófico!), mas a professora nem desconfia. Hoje ela é minha amiga no Facebook, talvez descubra ao ler esse texto. Talvez.
...na terceira série fui aluna da minha mãe. Não só fiquei de recuperação pela primeira vez (na matéria dela, certamente), como também tinha a mania de ficar inclinando a cadeira pra trás. Minha mãe sempre dizia "Vai cair, menina! Pára com isso que estraga a cadeira! Vai cair, mesmo!!". Um dia eu caí de costas, esparramada no chão. Hoje não inclino nem cadeira-do-papai.
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| A cara dele não foi nem um pouco feliz.. |
...na quinta série eu briguei com um menino do terceiro médio. Nunca tive nada contra ele, mas ele começou a chamar meu potinho de lanche de marmita e os amigos dele começaram a rir. Eu fiquei irritada e dei uma marmitada na cabeça dele, os amigos dele passaram a tirar sarro dele e voltimeia me chamavam pra fazer piada com a cara dele, dizendo "Vem aqui, mocinha, ele tá precisando apanhar..!". Hoje em dia esse menino é um dos mais lindos que eu tenho no Facebook. Talvez ele esteja precisando apanhar. Será?

...na sexta série meu amigo e eu tínhamos um alfabeto codificado onde cada desenho significava uma letra do alfabeto. Uma menina da nossa sala roubou a nossa folha-chave com o código decifrado e jogou no lixo da quadra - um tambor azul daqueles em que cabe.. er.. digamos.. que cabe uma criança da sexta série. Furiosa, fui tirar satisfação com a garota, e quando ela contou que tinha jogado naquele tambor azul, eu simplesmente a juntei pelo colarinho, levei até o latão e disse "Pega.". Como ela não quis pegar, eu simplesmente a peguei pelo colarinho de novo, debruçando-a pra dentro do latão até jogá-la lá dentro. Não tenho mais esse papel, mas hoje a garota é minha amiga no Facebook. Talvez ela leia... Oi.. err.. Me desculpe, eu fiquei mesmo muito irritada aquele dia. Muito, mesmo.
...na sétima série eu mudei de escola e virei a rebelde mais sem causa do universo. Nada de legal aconteceu naquele ano, foi horrível.

...na oitava série eu fazia parte de uma sala que conversava tanto que chegaram a fazer o mapeamento da sala. Tínhamos lugares fixos pra sentar e - óbvio - eles eram longe dos nossos amigos. Sentava na última carteira da fila da parede, só tinha uma garota na minha frente... Em uma semana eu fiz amizade com ela e nós nunca mais paramos de sentar perto. Nem de conversar na aula.
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| É. Fui bem cuzona, admito. |
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| PFFFFFFFFRR! |

...no terceiro médio eu fiz um trocadilho infame em cima de um comentário da coordenadora. Eu tinha prestado vestibular em Maringá, na UEM, e o resultado acabara de ser divulgado. Várias pessoas da minha sala tinham sido aprovadas, era um dia de comemoração, estavam pintando de guache a cara dos aprovados; mas eu tinha ficado na lista de espera. Estava sentada com uma amiga num banco da escola e a coordenadora perguntou "E você, Calíope", e respondi rabugenta que tinha ficado na lista de espera. "Aah, mas a Lista de Espera é uma grande conquista!" ela disse, e respondi amargamente "Uma 'grande conquista' é um refrigerantão de 20 litros, isso sim!!". Minha amiga riu, eu ri, mas ela ficou um tanto quanto desconcertada. Talvez até rabugenta.
Enfim. Eu pareço legal, mas sou um verdadeiro ânus de pessoa.
Na verdade, pensando bem, nem parecer legal eu pareço..!
Fim.
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| Quem nunca acordou com cara de bunda? |




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