sábado, 28 de dezembro de 2013

Vai um Friboi aí?

Quando minha irmã dispensou o bife na janta pela primeira vez e disse "Sou vegetariana agora" meu pai desconjurou, minha mãe tirou sarro e eu não assimilei. Eu achava que vegetarianos não existissem, porque pra mim é impossível fazer uma refeição sem carne. Nos dias que não tem carne (ah, detesto a quaresma!!) passo o dia inteiro indo e vindo da cozinha, comendo porcarias mais pesadas do que de costume. Uma fruta deixa de ser suficiente e acabo fazendo um sanduíche, dois, três.. Com presunto!

A falta de carne só se justifica, pra mim, em casos de massas realmente pesadas e com queijo. Muito queijo, queijo gordo! Hmmmm..

Enfim, hoje sei que vegetarianos são reais (mas não a minha irmã, ela não resistiu ao charme proteico) tenho uma amiga que é realmente vegetariana. E ela não gosta de carne! Terrível, né? Sempre que vou à casa dela ela me pergunta se quero que compre carne, mas eu não me importo: apenas coloco uma camada extra de queijo em todas as minhas refeições e não sofro. A mãe dela, pra me perturbar, sempre diz "Cuidado ficar sozinha com essa carnívora, ela vai te assar no espeto!" ou então brinca "Prende os gatos que a carnívora chegou!", como se eu fosse prepará-los à milanesa..

Nunca havia entendido esse humor de achar-nos assim tão perigosos, os "carnívoros", mas este Natal vi um post no Facebook que me fez questionar meus hábitos alimentares à base de carne. Um dos meus face-amigos (na verdade, uma garota) postou a seguinte foto e legenda:

Então é Natal KKK

Ai, credo. Que coisa feia, né? Olha só a leitoinha até se mijou pra morrer, não parece cruel? É a coisa mais normal do mundo, porém. Logo um pensamento invadiu minha cabeça "Pra quê matar o porco assim, né? A carne nem é gostosa!!". PUTZ! Quero dizer: acho que se fosse uma vaca eu não me importaria, porque a carne é boa (eu gosto), portanto, "compensa" abrir mão da vida de uma vaca para agradar ao paladar do "mais forte" (ou daquele que vai comprar um pacotinho de bife no isopor embalado com plástico-filme).

Conclusão: eu fiquei horrorizada a princípio com a naturalidade da legenda "Então é Natal KKK" porque eu não gosto de carne de porco (e apenas por isso!). Porque, pro meu gosto, um porco faz mais sentido vivo no chiqueiro do que assado. Talvez se a legenda fosse algo relacionado a bacon eu não me horrorizasse, talvez nem percebesse que o bacon porco se mijou todo. É a mente do carnívoro. Da mesma forma, minha amiga e a mãe dela se horrorizam com a ideia de um boi assassinado pra virar bife: elas não gostam da carne, o boi faz mais sentido vivo do que morto.

Entendo que as carnes em nossos pratos também são animais. E eu não comeria o Godofredo! Porque ele é meu gato, meu bebê... O quê o diferencia da galinha Gertrudes que foi pra panela ontem à noite, então?

Sei lá, sei lá.. Chego até a pensar que é só porque eu ainda não conheço o gosto de Godofredo. Se soubesse, quem sabe?

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