sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Caldo Knorr

Estava eu em mais um momento qualquer da minha existência diante do computador quando minha mãe chegou. Passou as mãos nas minhas costas, coçando só pra me fazer pinicar, e cutucou minhas costelas com todos os dedos das duas mãos, me apertando:

- Nooossa, fia, como você tá magra!! Não tá nem dando um caldo, hein!
Não mordi a isca do deboche, ela queria me irritar, mas não é por falta de ser Knorr que vou ficar irritada.. Enquanto eu ri gentilmente ela inventou uma forma mais criativa de ressaltar minha magreza:
- Precisa engordar, só o Ken que gosta de namorar Barbie!! - e riu sozinha.
Espremi os olhos, encarei ela ali, debochando de mim - do fruto das suas entranhas! - pensei em dizer "Foi você que me fez magrela, uai! Nem isso soube fazer direito?", mas não seria algo legal de se dizer. Então ataquei com criatividade à altura:
- Aaah, nem te conto o que tem de Ken por aí, viu... - e ri um riso malicioso forçado, minha mãe riu também
Dá um caldo?
- Ai, então você é biscate agora? - ela ainda estava descontraída, mas já tinha voltado pra perto pra me beliscar e puxar minha orelha simbolicamente, com tapinhas "raivosos" no braço.
- Biscate não, mãe: mulher livre! - gargalhamos. Ela saiu.

Que bom, ganhei! Porque se fosse eu conversando com minha filha, e a moçoila me viesse dizendo que conhece um monte de Ken por aí, eu responderia:

- Azar o seu.. Ken não serve pra nada: é sempre "liso" lá em baixo.

BA DUM TSS! E teria vencido. De novo.

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