terça-feira, 24 de setembro de 2013

7 anos de azar

Nos idos anos de 2006, quando tinha eu meus 12 aninhos, quebrei o espelho do meu quarto. Bom, você sabe o que diz a sabedoria pop, né? Que quebrar espelho dá 7 anos de azar. Mas eu nunca me importei, primeiro porque a maioria das superstições bobas da sabedoria pop não me convencem, segundo porque 7 não é um número tão mau assim.. Tá, 7 ANOS talvez seja tempo demais para ter azar, mas ainda assim é 7 e 7 é "o meu número". Se fossem 7 mil anos eu até ficaria chateada, são muitos zeros pra dividir o 7 comigo!

Pelos meus cálculos, os sete anos a partir de 2006 acabam em... 2013! Olha só, é este ano!! Mas eu não comecei a ganhar rifas este anos, sequer marquei menos pontos nas três Tele Senas que já comprei... Mas teoricamente é nesse ano que acaba meu azar.

Isso se eu não tivesse saído de moto hoje.

É, senhoras e senhores, em um momento de pausa da chuva tenebrosa que banha minha cidade, eu hoje resolvi ir ao banco: precisava recarregar meu celular. É legal fazer isso no banco porque você não precisa de um atendente e porque o dinheiro sai direto da sua conta, você não gasta o que tem em mãos.. Lá fui eu.

Deveria dar tempo de eu ir ao banco e voltar pra casa sem pegar chuva, mas infelizmente tive a necessidade de regular o retrovisor direito da moto no momento em que estava parada no semáforo. Observei a trincadura no espelho e pensei dentro do capacete "Já deveria ter trocado isso..". Nossa! Quanta força precisei aplicar ao espelhinho pra girá-lo um pouquinho mais pra fora! Parecia estar meio emperrado.. E enquanto me distraía tentando responder o que travara o espelho daquele jeito, gotículas de chuvinha que haviam grudado no retrovisor durante o percurso até ali fizeram a travessura de deixar meus dedos escorregarem.

O polegar, dramático, entrou no meio do vidrinho, transformando a trincadura em um buraco. Ouvi o tilintar de pedacinhos de espelho no asfalto enquanto senti a carne do dedão ser rasgada. "Aaaai!". Afastei rapidamente a mão do retrovisor "Que ótimo, agora é que não vejo nada, mesmo!" e fui analisar então o estrago no dedo. Com a ajuda da mão esquerda tateei o polegar dolorido, uma língua de carne minha apontou na minha direção "Aaaai!!" e fiz a boquinha sangrenta no meu dedo gesticular enquanto eu rugia entre dentes cerrados "Filho da puuta!". Sinal verde. Próxima parada: farmácia.

Durante todo o caminho o dedo foi latejando e sangrando. O molhado encharcou meu pulso, o vento frio de tempo chuvoso me ajudava a perceber. "Pelo menos não é nessa mão que controlo a seta, usando o polegar.." pensei, otimista. "Mas que retrovisor mais filho da puta!" e olhava pra ele de soslaio, enfurecida.

Na farmácia lavei a minha nova boca, deram a ela alguns goles de Iodo, passaram-lhe um gloss antibiótico e finalmente amordaçaram-na com gaze e micro poro. Peguei meu capacete, feliz de não ter precisado levar pontos, uma caixa de band-aids e um Merthiolate. No momento em que pisei para fora da farmácia.... CABRUM! Uma daquelas chuvas fortes e repentinas resolveu desabar. "Oh, um presente dos deuses!" falei a umas atendentes que observavam meu capacete (ou meu dedão enfaixado, não sei). E como isso não me livrou de seus olhares curiosos, tentei ser engraçada "Deve ser porque quebrei um espelho.. E agitei o dedão enfaixado no ar, explicando" Elas riram e acharam tarefas para si mesmas. Menos mal.

A chuva diminuiu mas não parou "Não sou de açúcar!" saí bravamente da farmácia, sob olhares espantados de pessoas encolhidas sob a marquise na porta. Quando cheguei ao banco a chuva tinha parado. Quando cheguei em casa, recomeçou.

Se é que quebrar espelhos dá 7 anos de azar, eu não sei.. Vamos esperar até 2020 e me esforçarei para não quebrar mais nenhum!! Porque, com ou sem azar, um corte de espelho no polegar dá é muita dor! Ai!!

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