quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Meu heroi, meu bandido

Pai! O primeiro homem da vida de quase toda mulher, o heroi, o gigante, o forte, o invencível, o todo-poderoso!! Se o seu não é, azar o seu, o meu é.. Mas não muito. Meu pai também é vilão, é pequeno, é fraco, vulnerável, humano... Mas não deixa de ser o meu pai.

Nesse dia dos pais, vi um outdoor que dizia:

Pai, foi com você que eu aprendi a ser quem eu sou hoje.

E, claro, fiquei pensando...
Aprendi muito com meu pai, muito do que sou hoje aprendi com ele. Acredito que uma profissão deve ser escolhida com amor, com base no amor que sentimos por uma atividade; aprendi que tudo o que fazemos devemos fazer bem-feito, devemos fazer com gosto e zelar sempre pelo melhor resultado que estiver ao nosso alcance. Aprendi que devemos ter compaixão por aqueles que tem menos sorte que a gente na vida, aprendi que às vezes temos que mandar esses azarados correrem atrás da sorte com as próprias pernas, porém. Mas ainda acho que, sobretudo, meu velho heroico me ensinou quem não ser amanhã.

A gente tem mesmo essa mania na vida, essa coisa de não enxergar as qualidades dos outros (e às vezes nem de si mesmo) e só apontar defeitos, apontar defeitos, apontar defeitos. Vejo muito isso em mim, vivo olhando pras pessoas e pensando coisas do tipo "Nunca vou mastigar de boca aberta, que coisa horrorosa!". Mas algumas vezes também me flagro olhando pro bem de cada um, pensando "Preciso aprender a ser assim pra cima com as pessoas! É incrível!!". E da mesma forma, isso se aplica ao meu olhar sobre o meu pai.

Ele come fazendo barulho, eu só olho e penso "Calíope, não repita isso ao comer, ok?"
Ele conta a mesma história três vezes e cada vez acrescenta um pouquinho de entusiasmo, eu ouço e penso "Mentira. Mentira. Mentira... Calíope, não vire loroteira, ok?"
Ele dorme no sofá com a tv ligada e insiste, quando chamamos, que estava assistindo. Eu desisto de acordá-lo e penso "Calíope, seja menos orgulhosa quando dormir no sofá, ok?"

O homem mais Super do mundo ♥
Eu poderia, enfim, listar um milhão de defeitos do meu pai aqui e associar a cada um deles um aprendizado que adquiri pra mim mesma. Afinal, aprendi com ele a ser quem sou hoje, ou quem não ser amanhã?? Ou melhor: há diferença entre esses aprendizados? Olha.. eu não sei, mas uma coisa é certa: por trás da sua careca, da barba grisalha, das implicâncias do meu pai comigo, da tampa da privada levantada... Apesar de isso tudo e muito mais, meu velho humano e limitado terá sempre a Força do Heroi que meus jovens olhos viam aos quatro anos de idade. O meu pai que me carrega no colo, que me faz cócegas na barriga com a barba, que me aperta num abraço sufocante, que se finge de polvo gigante e luta contra a lula [eu! hahaha] no tapete da sala, meu pai que me joga pro alto e sempre me pega, meu pai que cai nas minhas piadas de o que é o que é... Esse cara vai sempre existir e no fundo, no fundo, é apertado em uniforme de heroi que eu sempre vejo meu pai. Por mais envergonhado que ele possa ficar em uma roupa coladinha!

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