Fiquei imaginando como é que se mata alguém com uma caneta bic.. Machucar é fácil, aquela ponta de metal só é amigável porque a usamos amigavelmente, do contrário pode arrancar um olho, perfurar uns tímpanos, rasgar faringes, perfurar pulmões, estômagos, tripas; o que é suficiente para você fugir, mas não para dar "cabo" no agressor. Me imaginei, então, sendo agarrada de surpresa: o cara é forte, é maior do que eu e me pegou desprevenida. Meus braços estão imóveis, presos ao lado do meu corpo, não dá pra furar os olhos dele com a caneta. Jogo a cabeça para trás, acertando em cheio o nariz do agressor, ele afrouxa os braços e eu me desvencilho. Mas não é como um filme, em que ele se entretém a conter o sangramento do nariz, não! Malandros da vida real não se importam, continuam suas atividades. Então eu dou uma cotovelada no estômago dele, empurro, estou sem saber o que fazer... Chuto o coitado bem nas partes privadas, ele se dobra pra frente, morrendo de dor; eu o empurro para trás, ele cai, subo em cima dele com a caneta bic na mão *SRHGTS!* Enfio a caneta por entre suas costelas, para atingir o coração, movimento a caneta para todos os lados, na intenção de que isso vá acabar mesmo com o cara...
* * *
Ali, sob o vento frio do início da noite, a ouvir os ônibus indo e vindo, a sentir as pessoas passando por mim... Amoleci. Uma onda de falta de força de repente escalou pelas minhas pernas, fez cócegas na minha barriga, comecei a rir enojada. As ondas amolecidas foram passando pelos braços, apertando meu pescoço, pararam nas pontas dos dedos... A caneta escorregou, caiu aos meus pés, e eu ria uma risada sofrida, mole, trôpega. Agachei pra pegar a minha [da minha amiga, na verdade] bic, levantei derrotada. "Calíope, você jamais mataria alguém, sua pamonha!". E entrei, ainda rindo, no ônibus que acabara de chegar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Tá pensando no que eu tô pensando? Me diz aí!! (: