terça-feira, 27 de março de 2012

Já pensou?

Ontem eu estava no terminal esperando o meu ônibus. Já passava das sete da noite, e eu ali. Eu estava com uma caneta bic no bolso, uma simples caneta vermelha e sem tampa, que é de uma amiga minha e que eu queria ter devolvido, mas não encontrei a menina... E a caneta ficou no meu bolso. Peguei a dita-cuja com a mão esquerda, envolvi-a com todos os dedos, deixando a ponta esferográfica para baixo, em uma posição bem agressiva. "Se um estuprador aparecesse agora, eu poderia usar meus conhecimentos de como matar alguém com uma caneta bic em minha defesa!", calma, não sou nenhuma psicopata... Apenas me lembro de um amigo que comentou comigo na aula "Dá pra matar uma pessoa com uma caneta bic, sabia?" e eu "Hm, é mesmo?", e ele "Aham, eu tava lendo ontem.. Tem também 'As 30 maneiras de matar alguém usando um clipe de papel', mas é tosco.. Uma delas envolve você fazer a pessoa engolir o clipe pra ele perfurar os seus órgãos internos e causar uma hemorragia blá blá blá.. Muito tosco...". Foi pensando nisso que concluí que estava a salvo de um estuprador naquele momento, com a caneta bic na palma da mão.
Fiquei imaginando como é que se mata alguém com uma caneta bic.. Machucar é fácil, aquela ponta de metal só é amigável porque a usamos amigavelmente, do contrário pode arrancar um olho, perfurar uns tímpanos, rasgar faringes, perfurar pulmões, estômagos, tripas; o que é suficiente para você fugir, mas não para dar "cabo" no agressor. Me imaginei, então, sendo agarrada de surpresa: o cara é forte, é maior do que eu e me pegou desprevenida. Meus braços estão imóveis, presos ao lado do meu corpo, não dá pra furar os olhos dele com a caneta. Jogo a cabeça para trás, acertando em cheio o nariz do agressor, ele afrouxa os braços e eu me desvencilho. Mas não é como um filme, em que ele se entretém a conter o sangramento do nariz, não! Malandros da vida real não se importam, continuam suas atividades. Então eu dou uma cotovelada no estômago dele, empurro, estou sem saber o que fazer... Chuto o coitado bem nas partes privadas, ele se dobra pra frente, morrendo de dor; eu o empurro para trás, ele cai, subo em cima dele com a caneta bic na mão *SRHGTS!* Enfio a caneta por entre suas costelas, para atingir o coração, movimento a caneta para todos os lados, na intenção de que isso vá acabar mesmo com o cara...
* * * 
Ali, sob o vento frio do início da noite, a ouvir os ônibus indo e vindo, a sentir as pessoas passando por mim... Amoleci. Uma onda de falta de força de repente escalou pelas minhas pernas, fez cócegas na minha barriga, comecei a rir enojada. As ondas amolecidas foram passando pelos braços, apertando meu pescoço, pararam nas pontas dos dedos... A caneta escorregou, caiu aos meus pés, e eu ria uma risada sofrida, mole, trôpega. Agachei pra pegar a minha [da minha amiga, na verdade] bic, levantei derrotada. "Calíope, você jamais mataria alguém, sua pamonha!". E entrei, ainda rindo, no ônibus que acabara de chegar.

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