segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Um pai-mãe e uma mãezona

Esperando que chamassem minha senha no banco outro dia desses, observei um pai com o seu filho. Um homem jovem, devia ter seus trinta e tantos, com um menininho de seus três anos, imagino. O pai se demonstrou todo paciente, deixava o filho brincar com um joguinho no seu celular, dava instruções: "Não, não aperte nada, é só chacoalhar, assim" e umas bolinhas virtuais rolavam por toda a tela, repicando nas bordas e assumindo novas direções. O menininho vibrava, ria alto e depois mostrava ao pai, desapontado "Iiii, palou!". Mas logo agitava o aparelho nas mãozinhas mais uma vez e as bolinhas percorriam o visor do celular...
Imaginei que aquele poderia ser, talvez, um pai solteiro e que talvez tivesse aprendido a ser assim cuidadoso em função disso. Depois fui boazinha, imaginei que aquele era um exemplar raro de homem íntegro, um cara com uma mulher de sorte e que, apesar da testosterona, aguentava lidar bem com uma tarde no banco com seu filho... Sensibilizada de perceber o olhar de carinho paciente do pai sobre o filho, conclui independentemente de ele ter esposa ou não "Este é um daqueles pai-mãe!" e me senti feliz pela criança, que parecia receber uma boa educação...
Mas minha cabeça se desviou em pensamentos, imaginei que o pai dos meus filhos vai ter que ser assim, tão paciente quanto eu serei, vai ter que saber cuidar das crianças também, vai ter que amar os seus filhos tanto quanto vai me amar. Depois, imaginei que, caso não seja assim, eu serei uma mãe-pai para os meus filhos e isso me fez ouvir na mente uma das histórias da vila - fofocas - que minha avó comentara, de uma mulher que tinha chutado o marido beberrão por não colaborar com a casa: "Uma mãezona, ela é!", foram as palavras de minha avó. 

Engraçado. Um homem capaz de cuidar de seus filhos sozinho é sempre visto como a figura que representa pai e mãe; uma mulher, porém, é simplesmente uma mãe no aumentativo. Tradução: filhos não precisam de duas figuras, eles precisam de duas figuras ou de uma figura materna bem grandona. Porque é socialmente estabelecido que os homens não tem comprometimento nenhum na educação dos filhos, eles são apenas os machos reprodutores que saem à caça, que devem manter a casa. É função da mãe - e exclusivamente da mãe - educar, cuidar e (fique chocado) AMAR  os filhos. Se essa heroína for capaz, também, de sustentar a casa (ou receber ajuda financeira do pai, por exemplo) homem pra quê? Quem precisa de pai quando se tem uma grande mama África?


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