sábado, 7 de janeiro de 2012

Meu primeiro amor

O meu primeiro amor foi super precoce, antes mesmo de começar a frequentar a escola... Ele era um dinossaurinho desses MADE IN CHINA, um brinquedinho bem singelo. Ele era um dinossauro Rex, o mais agressivo, o grande predador carnívoro e sanguinário! Apesar de seus curtos bracinhos, seu urro botava medo em qualquer um, seus passos abalavam os arredores, sua cauda a balançar com a caminhada destruía as mais fortes estruturas de concreto! GRRRRRR! Mas era ele quem eu mais amava e ponto.
Claro, sempre fui a criança estranha, a menina que odiava bonecas, não brincava de Barbie e se apaixonava por dinossauros. E eu carregava o Requinho (este é o diminutivo de Rex, foi como eu batizei meu amor já naquela época), eu levava o Requinho pra cima e pra baixo. Brincávamos o dia todo entre as flores da minha avó, urrávamos juntos a cada passo, Requinho ia deixando suas pegadas na lama, eu estava sempre logo atrás e, apesar de ser da espécie mais predadora, Requinho tinha que fazer jus à sua acompanhante, sendo estranho também: Requinho só se alimentava de vegetais. Terra, eventualmente... Mas só se estivesse em formato de bolo!
E nós nos sujávamos na terra, entrávamos juntos no banho, e lá estava Requinho à mesa comigo, provando meus vegetais antes de mim, ele que me ensinou a comer couve-flor! Sempre achei que fossem árvores em miniatura que minha mãe preparava especialmente pro Requinho... E depois da janta, depois de um pouquinho de Tv, era hora de escovarmos os dentes. É onde entra a figura antagônica de meu romance com Requinho, a Irmã Mais Velha [música de terror/suspense].
Minha mãe tinha um jeito só dela de anunciar que era hora de dormir, sua frase era composta de três itens, ela dizia "Xixi, dente, cama!" e minha irmã e eu sabíamos o procedimento... Era fazer xixi, escovar os dentes e pular na cama (essa parte eu levava ao pé da letra, minha mãe enlouquecia), só que no banheiro, Requinho e eu tínhamos um inconveniente. Não sei se eu derrubava, se o Requinho é que pulava ou se minha irmã dava um empurrãozinho, só sei que quase todas as noites o Requinho deslizava da pia direto pra privada. *PLUFT!* e ao ouvir isso meu coraçãozinho disparava! "Manhêêêêêêêêêê! O Requinho caiu na privada!" e enquanto ela "já vinha", vivíamos o drama. Minha irmã colocava a mão de leve sobre a descarga, sorria de ladinho e dizia "Fala tchau pra ele, Cá!" BUÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ! Era o maior chororô. Mas sempre minha mãe aparecia, dizia pra minha irmã parar de me perturbar e resgatava meu amado.
Requinho e eu vivemos aventuras-mil, desbravamos florestas, nos salvamos de areia movediça, escalamos montanhas, derrubamos árvores inteiras, esmagamos formigas-gigantes inimigas e até entramos num vulcão uma vez! Ele foi meu primeiro caso de amor, e mesmo que hoje eu não tenha mais tempo para nossas aventuras, mesmo que ele esteja velho e cansado e com a cauda quebrada... Apesar dos pesares, nós ainda somos um caso sério. Primeiro amor a gente nunca esquece, né mesmo?

Detalhe ao fundo: meu primeiro desenho a merecer uma moldura, um dinossauro pescoçudo olhando para trás.
Fui mesmo uma grande apaixonada por dinos!

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