Quando eu me envolvo com um assunto X, toda e qualquer informação sobre aquilo desperta o meu interesse. Fato. Ateia, conheci a ATEA, comecei a ler, pesquisar, encontrei blogs, li tirinhas como as de Um Sábado Qualquer, achei um canal de animações explicativas do ateísmo no YouTube e coisas assim... Feminista, comecei a seguir o blog Escreva Lola Escreva, me envolvi em discussões sobre estupro e violência doméstica, igualdade de gêneros... Liberal, defendo a causa GLBT, publico fotos de protesto no facebook, leio sobre paradas, fico sabendo de eventos... Da mesma forma, a gente encontra material contra nossa ideologia no meio do caminho, assisti muitos otários defendendo que feministas são lésbicas mal amadas e estressadas, li comentários absurdos de crentelhos fervorosos querendo enfiar seu deus goela abaixo em mim, tive que defender os gays de inúmeros conservadores de merda que acham que homossexualismo é um absurdo. Tropeço e esbarro em informações que atacam a minha filosofia o tempo todo, mas isso é saudável, eu acho saudável. Acontece de eu encontrar os ataques ao meu pensamento porque EU tenho um pensamento diferente do da maioria, porque eu SOU a minoria; e se isso não acontecesse, se as minhas ideias fossem ideias compartilhadas pela massa, eu buscaria protestantes, ia querer conhecer também os contras, ouvir argumentos para detoná-los - ou quem sabe, até, mudar minha opinião?
Acho que a inteligência exige conhecimento, pessoas inteligentes gostam de saber e sempre vão gostar quando as informações acerca de uma ideia sua chegarem até si. Mandei pra uma miga minha - ela gosta de BBB - um texto do Luís Fernando Veríssimo falando a opinião dele sobre o BBB, destacando a imoralidade, o atentado à nossa inteligência que o programa significa. Por quê? Pra ela conhecer, ter visão, saber o que é que quem não gosta de BBB pensa e o que é que os leva a pensar assim! Por ISSO. Mas, claro, "é chato ficar mandando essas indiretas", foi o que ouvi. Legal, sinto muito, me coloquei mal. O verdadeiro problema é que os olhos veem o que querem ver, a nuvem de preconceito distorce as imagens antes de chegarem ao cérebro e agente acaba interpretando mal, não visualizando as intenções das pessoas. Não é verdade que muitos negros se acham odiados, sendo racistas? Não é verdade que muitos gays se acham em desvantagem erroneamente em algumas situações, sendo homofóbicos? Não é verdade que muita mulher se julga agredida em vão, sendo machista? Sim, é verdade. Há momentos em que a nossa impressão de que seremos atacados é o único ataque.
É o mesmo mecanismo que ativamos quando nos dizem "Precisamos conversar." e que nos faz pensar em todas as coisas erradas que fizemos.
Então, aos fãs da casa mais famosa do Brasil, deixo os links:
- O texto do Veríssimo, criticando
- Notícia do "estupro" de anteontem (14/01)
- Artigo de Alex Castro sobre estupro, usando o caso do BBB
Não estou jogando uma indireta, não. Estou apenas digerindo o acontecido, porque fico triste de pensar que uma amiga pra quem eu mandaria o link de qualquer coisa legal que eu visse (assim como mando sempre a todos) me considere aplicando indiretas. Eu não gosto de BBB e disso falo na cara, mas assistir programa ruim - eu já disse - é igual ter namorado feio: ninguém tem nada a ver com isso se é ele que te faz feliz.
Que engraçado isso: "é chato ficar mandando essas indiretas", mas vindo de uma "amiga", me faz pensar noque seria exatamente um amigo.
ResponderExcluirO caro Aristóteles, já nos falou na "Ética a Nicômaco VIII-IX" sobre os níveis de amizade. Creio que a leitura dos trechos citados pode ser muito esclarecedora.
Link para o e-book da Ética a Nicômaco: http://filosofiaocupada.blogspot.com.br/2011/05/download-e-book-colecao-os-pensadores_28.html
Está na coleção os pensadores Vol. 2