Felizes são as crianças, que sonham livremente com aquilo que lhes agrada. Eu por exemplo, sonhava em ser um lixeiro, pra poder subir no caminhão em movimento, andar dependurada com aquelas faixas brilhantes pela roupa...
Mas note a diferença: não queria ser lixeira, eu queria ser um lixeiro. Significa: eu não queria para a minha pessoa, Calíope que sou, que profissão de pessoa que recolhe o lixo; mas sim gostaria de adotar a personalidade de uma pessoa que recolhe o lixo. É tipo um jogo de personagens onde você não quer mudar parte de sua personalidade pra assumir determinada posição, mas não se importaria de ser aquele tipo de pessoa por completo. Dá pra entender? Acho que não... Mas esse é o ponto: eu sempre gostei da ideia de me transformar em um lixeiro, assumir seu papel; mas não realmente me via transformada em uma lixeira...
Bom, daí veio a fase de profissões por leve curiosidade. Eu disse pra minha mãe, uma vez, que eu queria ser frentista de posto porque o cheiro da gasolina é bom... Eu ainda era jovem, então ela riu; mas o acontecimento de hoje foi muito engraçado.
A gente foi ao banco e parou o carro em frente a uma lanchonete. Plenas 9 horas da noite. Estávamos no carro e distraidamente observávamos o movimento de motoboys por ali, entregando e pegando entregas... Espontaneamente, deixei escapar:
- Eu queria ser um entregador de pizza. Parece ser divertido...
Exatamente com essas palavras, querendo dizer que eu gostaria de assumir o papel de um entregador de pizzas, mas não que queria assumir essa profissão...
Minha mãe desconjurou! Ela começou a soluçar aqueles soluços de indignação e falou, encostando a cabeça no volante:
-Ah, meu Deus! Por que é que eu pago escola pra essa menina?! A troco de quê?
E conforme ela começou a chocar sua cabeça levemente contra o voltante, em uma atitude teatrical, eu tomei a mais sábia atitude:
E saí gargalhar a alguns metros do carro... Eu não me aguentava, foi uma cena muito boa. Dei uns dois minutos e voltei, séria.
-Oi, mãe! =]
-Oi...
E assim, sepultou-se o assunto
<< Eu lhes digo: jamais dê a um filho seu um nome do tipo Calíope, ou ele vai sofrer da maldição dos estranhos e vai ser estranho assim como eu. Vai querer ser um lixeiro, vai quebrar o braço achando que é um desenho animado, vai imitar dinossauros na rua e vai achar que pode ser divertido ser um entregador de pizza além de outros fatores que prefiro não comentar... Afinal, não há nada de errado com ''João'' e ''Maria'', há? >>
P.S.: Não, sua mãe não vai se orgulhar de você independentemente do que você faça. ela paga sua escola pra que você não acabe entregando pizza.
HAHAHAHAHAHAHA!(1): vc já chegou ao ápice de dizer esta última parte, do nome, pra sua mãe? Seria épico!
ResponderExcluirHAHAHAHAHAHAHA!(2): todo adolescente já passou por isso, meu irmão queria ser caminhoneiro, eu, pela rixa óbvia, policial rodoviário (dar multa e poder correr de carro!), e a reação dos meus pais era rigorosamente igual a da sua mãe! Boas lembranças!
Genial a relação entre assumir a personalidade x profissão!!
até mais (e por hj é só, senão fica parecendo stalker)
Daniel
Daniel, o stalker
ResponderExcluir(1) Não, nunca comentei sobre isso pra ela, mas tem uma série chamada The Middle (não conheço tradução oficial) em que a Mãe (não me lembro do nome dela) chamou o filho de Brick (Tijolo, em inglês) e logo no primeiro episódio da série, narrada por ela, ao apresentar sua família ela diz
"Nunca dê um nome maneiro para o seu filho achando que isso vai fazer dele um cara maneiro na escola. Este é o Brick e, apesar do nome maneiro, sua colocação social no colégio não é das melhores..."
O Brick é um ótimo personagem, um menininho que tem síndrome de Aspenger e consequentes dificuldade com socialização e manias estranhas (tipo cochichar palavras que soam bem aos seus ouvidos)
(2)O maior erro de fabricação dos pais é: já passaram da idade de compreender os nossos tenros pensamentos xP
Stalker? Isso é tudo o que um autor de blog pode querer, relaxa!