terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bullying contra os filósofos

Todos aqueles que pensam, refletem, tiram suas próprias conclusões.. Mesmo sem formação universitária eu os chamo "Filósofos". Filosofar é um dom, além de ser um deleite.
Porém, todos nós que expandimos nossa percepção para além da linha reta do óbvio e vamos explorando as sinuosidades da interpretação estamos sujeitos a um preconceito. Porque os filósofos têm todos a imagem de pessoa amarga e solitária, chata e intolerante, séria e deprimida, triste e negativa, revoltada e problemática. Ou seja: os filósofos somos sempre idealizados como pessoas que não se desejaria por perto.
Calúnia! Calúnia social!
Nós somos legais! Talvez não eu, talvez não tanto, mas somos legais, sim. Não vou defender a raça e começar a afirmar que somos apaixonantes (embora alguns realmente sejam), que você não pode viver sem um filoso-amigo, que uma filoso-pessoa mudará a sua vida... Mas eu me garanto: não me encaixo nesse clichê negativo que vestiram na filoso-raça.
Não sou amarga... Tenho meus momentos de cenho cerrado, sim, mas quem não tem?
Não sou solitária... Tenho pouquíssimos amigos, mas são todos de grandessíssimo valor!
Não sou chata... Bom, talvez...
Não sou intolerante... Já tive, admito, minha fase intolerante, eu odiava o mundo, odiava quem fosse assim e não fosse assado, não suportava músicas, filmes, livros que eu não gostasse. Mas já não sou mais assim.
Não sou séria... Eu sou uma palhaça! Faço trocadilhos infames, rio em velórios e solto gargalhadas com notícias trágicas. Me desculpem, pode até ser desrespeito, mas é que escapa...
Não sou deprimida... Eu fico deprimida, às vezes, quando pego pra pensar em alguma coisa pessoal, nos erros do mundo que eu não consigo consertar, nas pessoas que poderiam e não se importam...
Não sou triste... Fico triste, só, com as mesmas coisas que me deprimem, ou com coisas entristecedoras, mas qualquer um que tenha sentimentos fica triste, né?
Negativa... Já fui muito negativa, talvez ainda reste um pouco de pessimismo em mim, mas não sou o tipo de pessoa que reclama até do que deu certo porque "não era hora de eu ganhar na loteria, pô!" ( ! )
Revoltada eu sou. Me revolto, grito, me revolto, brigo, me revolto, xingo, me revolto! Mas acho que foi Darcy Ribeiro, ou estou bem enganada, mas já disseram "Só há duas alternativas na vida: indignar-se ou resignar-se. Eu não vou me resignar nunca!". Pois eu também não! Vou me revoltar até que possa tomar atitude, quando estiver ao meu alcance, eu corro atrás.
Não sou problemática... Eu só, assim como um filósofo, consigo ver os problemas que as pessoas ignoram!

E a sociedade prega esse bullying contra os filoso-seres-humanos, nos prendem na redoma do mal-ver e ninguém gosta de uma pessoa que pense, que questione, que se revolte. Pois eu penso, e mesmo que saia falando abobrinhas, dando opiniões incoerentes, eu estou pronta pra ouvir e pra me corrigir, se for necessário. Mudar de opinião não é crime, nem mesmo sinal de fraqueza, não é um defeito... É um dom! Se alguém muda de opinião, se deixando conquistar pelos argumentos de um oponente de debate, eu acredito que essa pessoa é uma pessoa esclarecida, que sabe bem o que quer e que sabe admitir seus déficits humanos. Errar não é mesmo umano humano, afinal? Eu erro, eu mudo de opinião, me deixo convencer com fortes argumentos de uma ideia divergente e admito tudo isso. Porque eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

É hora de mudar o conceito do filósofo triste e perdedor. Porque pensar é mais humano do que errar, e a gente deveria mudar o ditado, assim não precisaríamos mais ficar arranjando desculpas pros nossos errinhos babacas. Em um lugar onde todo mundo pensa e entende o funcionamento do erro, "Pensar é humano" seria a máxima em vigor. Ou melhor, "Pensar é umano, sim senhor!". Pense ^^


E filosofe, também...

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